Em ofício à CPI da Covid, o Exército informa que agiu assim a pedido do Ministério da Saúde.

Enquanto a secretária de Gestão do Trabalho e Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, depunha à CPI da Covid-19, um dos senadores informava em voz baixa a alguns dos seus pares sobre o ofício enviado pelo Exército a respeito da produção de cloroquina. Conhecida como “capitã cloroquina”, Mayra defendeu a droga ineficaz contra o vírus que segue matando por aqui.

Segundo o ofício, aumentou em mais de dez vezes a produção de cloroquina a pedido do Ministério da Saúde. Em 2017, foram 260 mil comprimidos, o suficiente para o tratamento da malária nos dois anos seguintes. Uma vez que Bolsonaro decidiu que a droga deveria ser usada no combate ao vírus, no ano passado o laboratório do Exército fabricou 3.230 mil comprimidos.

Em dois dias de depoimento à CPI, o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, disse que não havia comprado cloroquina em sua gestão e que nunca recebeu ordem para isso de Bolsonaro. Mas em maio de 2020, quando ainda era ministro interino da Saúde, ele deu ordem de compra, sim. Afinal, é o que Pazuello diria depois: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”.

O general foi demitido por Bolsonaro porque alguma cabeça haveria de rolar e não seria a do presidente. Dos 30 militares da ativa e da reserva levados por Pazuello para o ministério, 20 permanecem ali porque Bolsonaro não quer que eles saiam. Marcelo Queiroga, médico, o quarto ministro da Saúde em pouco mais de um ano, conformou-se em mantê-los.

Fonte: Metrópoles