“Assim como a Alerj tem o legítimo direito de abrir o processo de impeachment contra mim, eu, como governador e como cidadão, tenho o legítimo direito de me defender”, diz o governador do Rio.

No acordo de delação firmado com a Procuradoria Geral da República o ex-secretário de Saúde do Rio de Janeiro, Edmar Santos, entrega um conjunto de provas materiais que revelariam em detalhes a participação do governador Wilson Witzel no esquema de corrupção na Saúde do estado.

Além de apresentar evidências concretas contra Witzel, o ex-secretário se compromete no acordo a devolver 8,5 milhões de reais à Justiça. “Ele entrega o dinheiro e os culpados”, diz um investigador.

Santos foi preso na manhã do último dia 10 por uma operação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Ele é investigado por irregularidades na compra de respiradores para tratar pacientes com Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Edmar Santos foi exonerado do cargo no dia 17 de maio pelo governador Wilson Witzel, após o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) deflagarem a Operação Favorito, para investigar possíveis fraudes na compra de respiradores.

Witzel recorre à Justiça contra processo de impeachment na Assembleia Legislativa

Wilson Witzel (PSC), entrou na Justiça para barrar processo de impeachment, iniciado pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) em junho. A informação foi confirmada pelo político por meio de sua rede social no Twitter.

“O meu direito a defesa está prejudicado por pelo menos três motivos: a denúncia não contém provas, há indefinição sobre o rito do processo; e não está sendo observado o princípio da proporcionalidade partidária. Por isso, recorri à Justiça pedindo a suspensão do processo”, afirmou o governador.

“Assim como a Alerj tem o legítimo direito de abrir o processo de impeachment contra mim, eu, como governador e como cidadão, tenho o legítimo direito de me defender. Acontece que não é possível se defender de uma acusação sem provas”, completou o político.

No fim de junho, o governador do Rio de Janeiro pediu suspensão do processo no âmbito da Alerj, protocolado por seu advogado Manoel Peixinho, usando os mesmos argumentos escritos em sua rede social – mas não obteve sucesso até o momento.

Treze pedidos de impeachment contra Witzel foram protocolados na Assembleia Legislativa do Rio. O que foi acatado é de autoria dos deputados Luiz Paulo Corrêa da Rocha e Lucinha, os dois do PSDB. O pedido se apoia em fatos relacionados às operações Favorito e Placebo, do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF), que miram suposto esquema de corrupção e de desvio de recursos da saúde fluminense.