O ex-governador do Amazonas, José Melo, e a esposa, Edilene Oliveira, alegam que estão passando por dificuldades financeiras, por isso pediram a redução da fiança que têm que pagar à Justiça Federal. Caso não paguem, podem voltar à prisão.
A declaração que o ex-governador está ‘falido’ foi feita pelos advogados que defendem o casal.
José Melo, que possui aposentadoria como governador do Amazonas, no valor mensal de R$ 34 mil, alega que está sem dinheiro. Melo já foi deputado estadual e federal, secretario de Educação e de Produção Rural, e também vice-governador, além de outros cargos no Poder Executivo Estadual.
José Melo atua na política amazonense há mais de 40 anos, e embora diga que está sem dinheiro, a Justiça parece que não vai acreditar na situação de penúria que alega o ex-governador.
Por meio de advogados, Melo pede também a retirada da tornozeleira eletrônica dele e da esposa. O aparelho é usado por presos que cumprem pena em regime aberto.
Sem a tornozeleira, Melo e Edilene podem voltar a uma vida normal, circulando pela capital e interior do Estado, sem a fiscalização do Poder Judiciário.
Na petição encaminhada à Justiça, os advogados argumentam que a tornozeleira causa “extremo desconforto físico e psicológico aos réus, que são idosos e que teriam ficado escravos do equipamento, temendo que as baterias descarreguem e o mesmo possa ser tido como violador do equipamento”.

A obrigatoriedade do aparelho foi imposta pela Justiça Federal em 2019 em substituição à prisão preventiva do casal na terceira fase da “Operação Maus Caminhos”, que apontou desvio de recursos da Saúde do Amazonas.

De acordo com investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, José Melo e Edilene faziam parte de uma quadrilha que desviou mais de R$ 50 milhões da Saúde Pública do Amazonas.

O esquema criminoso tinha participação do empresário Mouhamad Mostafa, dono do Instituto Novos Caminhos (INC), que tinha contrato de prestação de serviços com o governo de José Melo.

A quadrilha superfaturava serviços médicos que deveriam ser oferecidos à população. Serviços que nunca foram realizados, apontou a investigação da Polícia Federal.

O grupo criminoso também vendia produtos hospitalares ao Estado, que pagava caro por mercadorias de péssima qualidade ou que nunca eram entregues.