Estudos preliminares feitos por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) indicam que a vacina Coronavac, produzida pelo Instituto Butantã, não consegue evitar com eficiência a proliferação da Covid-19 em pacientes contaminados com a variante P.1.

Isso significa que a variante pode “escapar” dos anticorpos produzidos pela Coronavac e também “driblar” os anticorpos naturais de quem já foi contaminado pela primeira linhagem do vírus.

O resultado seria uma vacina que não consegue diminuir a carga viral nas pessoas imunizadas, possibilitando o surgimento de sintomas graves da doença.

“Essa nova variante pode infectar mesmo quem já tem anticorpos contra o novo coronavírus depois de uma primeira infecção natural”, disse a imunologista Ester Sabino, professora do Instituto de Medicina Tropical da USP e uma das coordenadoras do trabalho.

Isso explicaria porque milhares de pacientes que já tiveram a Covid-19 em 2020 estão sendo infectados novamente neste ano.

O dado positivo é que o estudo levou em conta apenas a situação de oito voluntários, cujos dados clínicos foram analisados por cientistas da USP e Unicamp.

Por isso, a pesquisa precisa ainda de dados mais detalhados. No entanto, acende um alerta sobre a eficácia do imunizante contra as novas cepas do coronavírus.

Para o estudo, o grupo de pesquisadores coletou plasma sanguíneo de oito participantes que receberam as duas doses da Coronavac há pelo menos três meses. Depois, foram testados os anticorpos neutralizantes da amostra contra a cepa de Manaus e uma outra variante do coronavírus (B).

Após o teste, os cientistas observaram que os níveis de anticorpos capazes de deter o vírus foram mais baixos para a P.1 do que para a linhagem B. Dessa forma, os autores afirmam que “os resultados sugerem que a P.1 pode escapar de anticorpos”.

Mais estudos estão sendo feitos com voluntários de Manaus e outros Estados onde a variante foi detectada. O objetivo é analisar cerca de 20 mil testes de pessoas que receberam a Coronavac e a vacina de Oxford, distribuídas pelo Ministério da Saúde.