A prevenção contra Covid-19 é mais efetiva quando todos estão usando adequadamente o item de proteção.

Poucos meses após o início da pandemia de Covid-19, estudos científicos concluíram que as máscaras têm um papel determinante no controle da circulação do novo coronavírus. Apesar disso, algumas pessoas ainda relutam em usar o item ou o fazem de forma inadequada. Assim, surge a dúvida: estou protegido em lugares onde sou o único a usar máscara?

Em meados de 2020, autoridades da Suíça relataram um surto de Covid-19 em um hotel na região de Graübunden, onde vários funcionários que usavam apenas protetores faciais de plástico foram infectados pelo novo coronavírus. Já os empregados que usavam máscara não adoeceram.

Barreiras

O caso é mais um dos que comprovam a eficácia das máscaras. Quando feitas com o material correto e bem ajustadas ao rosto, elas funcionam como barreiras que impedem as partículas contaminadas pelo vírus de se espalhem no ambiente, infectando outras pessoas.

Um estudo feito no estado do Tennessee, nos Estados Unidos, publicado em outubro de 2020, mostrou que as cidades onde o uso de máscaras era obrigatório tinham taxas de hospitalização menores do que as verificadas nas que não adotaram a medida.

A infectologista Ana Helena Germoglio esclarece que o ideal é que todas as pessoas usem máscaras para reduzir significativamente o risco de infecções. Em um ambiente em que as outras pessoas negligenciam o item de proteção, o ideal é usar o modelo PFF2/N95.

“Se você estiver usando a N95 e as outras pessoas não estiverem usando suas máscaras corretamente, você continua protegido”, afirma.

A médica compara a situação com a realidade das unidades de terapia intensiva (UTI), onde os profissionais de saúde passam o dia equipados com o modelo PFF2/N95 e os pacientes não.

“Em locais onde há a possibilidade de alta transmissibilidade, o ideal é usar a máscara N95. O modelo, entretanto, é mais caro e nem todas as pessoas têm acesso. Na impossibilidade de usar a N95, recomendo a máscara cirúrgica”, afirma a médica.

Se o custo da máscara cirúrgica também for proibitivo, a infectologista recomenda que se adote o modelo de pano com ao menos duas camadas de tecido. A máscara deve estar bem ajustada ao rosto, cobrindo a boca e o nariz.

“Se você estiver em um ambiente aberto, para encaminhar as crianças para a escola, por exemplo, não há problema em utilizar uma máscara de tecido de boa qualidade, com dupla camada. O mais importante é lembrar que toda máscara tem vida útil. Quando fica úmida, suja ou danificada, ela precisa ser trocada”, pontua a médica.

Um estudo feito pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), dos EUA, mostrou que combinar o uso de uma máscara cirúrgica com uma de tecido por cima é capaz de reduzir a exposição às partículas de tosse em até 83%.

Fonte: Metrópoles