Manaus | 4 de junho de 2026 | 12:39:07

Estimulante sexual ‘Pau de mendigo’ tem venda e fabricação suspensas

Contrato foi assinado dias antes de o EM revelar histórico do ‘Mendigo de Planaltina’. Anvisa investiga o produto, fabricado por empresa de Valadares.

Lançado há duas semanas, o estimulante sexual “Pau de mendigo”, que tinha como garoto-propaganda o ex-sem-teto Givaldo Alves, teve a fabricação e venda suspensos.

A comercialização do produto está sob investigação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por não possuir registro no órgão. A empresa fabricante, a AeG Produtos Naturais LTDA, com sede em Governador Valadares (MG), também não possui autorização de funcionamento.

Em nota, a Anvisa confirmou ao Estado de Minas que o estimulante sexual não consta no banco de dados da agência e que a empresa também não tem autorização para comercializar o produto.

“Foi aberto dossiê de investigação pela Agência para a investigação da prática de infrações sanitárias, nos termos do Inciso IV, do Art. 10 da Lei 6.437/77, pela venda de medicamento sem registro, por pessoa/empresa sem licença ou autorização do órgão sanitário”, informou a Anvisa.

Em meio à investigação, a AeG retirou do site a venda do estimulante sexual, que prometia resultados mirabolantes e duvidosos. Na página, aparece agora um comunicado informando que a empresa desistiu do lançamento.

“O produto pau de mendigo nem se quer (sic) teve sua produção iniciada e nem vendas pelas empresas parceiras, e mesmo se tivessem reafirmamos que o produto pau de mendigo é isento de registro na Anvisa conforme o RDC 18/2020, sendo apenas comunicado a inteção (sic) de produção”, informa trecho da mensagem.

A Anvisa,  no entanto, desmentiu a informação. Segundo a agência, a dispensa de registro não se aplica a esse tipo de produto, que deve ser enquadrado no rol de medicamentos. “Verifica-se que o produto faz alegações terapêuticas (como, por exemplo, efeitos sobre a disfunção erétil) e, portanto, é obrigatório o enquadramento como medicamento conforme Art. 4 da Lei 5.991/1973”, explica o órgão.

DA FAMA AO CANCELAMENTO

O estimulante foi “inspirado” em Givaldo Alves, de 48 anos, que virou celebridade após ser flagrado fazendo sexo com uma mulher, no Distrito Federal, em março de 2022. Depois do episódio, o ‘mendigo de Planaltina’, como Givaldo ficou conhecido, passou a frequentar boates, onde posava para foto cercado de mulheres, e foi elevado ao posto de ícone sexual pelos milhares de seguidores que ganhou nas redes sociais.

E foi nessa fama de pegador do “mendigão”, apelido que o próprio Givaldo se apresenta para seus seguidores, que a  AeG Produtos Naturais Ltda resolveu apostar.

O contrato foi registrado em Belo Horizonte, em 19 de abril de 2022. Aparece como contratante empresa fabricante a AeG Produtos Naturais LTDA, representada por três empresários de BH.

‘ARTE DE SEDUÇÃO DO MENDIGO’

Givaldo recebeu R$ 30 mil para ser o garoto-propaganda da linha de produtos cancelados antes mesmo do lançamento. NesSe valor estavam inclusos a gravação de vídeos e fotos publicitários, de acordo com a necessidade da contratante. O valor foi dividido em três vezes, respeitando as etapas da concretização do negócio.

O cronograma apresentado no documento diz que a primeira parcela, de R$ 10 mil, foi paga na assinatura do contrato. A segunda prestação, também de R$ 10 mil, seria paga em 21 de abril, “um dia antes do lançamento de um dos produtos (Pau de Mendigo)”, como descreve o contrato.

A última seria quitada em 28 de abril, “um dia antes do lançamento do produto digital (Arte de Sedução do Mendigo)”. O acordo ainda definia mais 30% de comissão por cada venda gerada nas plataformas digitais de comércio.

Fonte: Estado de Minas

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