O ex-ministro da Justiça Sergio Moro disse que especulações sobre uma eventual candidatura sua o prejudicaram ao longo da carreira. Logo que rompeu e deixou o governo Jair Bolsonaro (sem partido), o ex-juiz da Lava Jato despertou interesse de ao menos quatro partidos, mas nega o interesse em sair candidato.

“Essa questão é recorrente. Acho que essas especulações quanto à candidatura, isso na minha carreira, só me prejudicou. Como juiz perguntavam e achavam que ia sair para presidente. Aí, como ministro, no primeiro dia (falavam) ‘ah, vai ser candidato 2022, 2026,’ também é algo que me prejudicou”, afirmou.

Moro deu as declarações neste sábado (13) em live com um dos fundadores do movimento Vem Pra Rua, Rogério Chequer. Em 2018, Chequer se candidatou a governador de São Paulo pelo partido Novo.

“Não é algo que tenho pensamento no momento. Temos um problema sério em 2020 que é a pandemia, emprego e renda. E temos outras pautas que precisamos retomar. Não tem nem cabimento esse tipo de cogitação”, afirmou Moro.

O ex-juiz disse que não é momento para nenhum candidato pensar em eleições presidenciais de 2022. A intenção de disputar o segundo mandato é recorrente em Jair Bolsonaro.

“Isso para qualquer pessoa. Quem estiver pensando, salvo, talvez, quem estava se preparando para eleição municipal, talvez possa ainda se preocupar. Mas o foco do momento é outro absolutamente diferente”, declarou sobre as eleições presidenciais de 2022.

Prisão em 2ª instância

Desde que deixou o governo, em abril, Moro participa de lives, entrevistas para veículos de imprensa nacional e internacional e dá palestras.

Ele disse que vai continuar participando do debate público e que agora é um “cidadão livre”, pois não está sob as regras da magistratura e a hierarquia do governo. Moro afirmou que o tema principal para o país no pós-pandemia é a prisão em 2ª instância.

“É algo que pode ser retomado a qualquer momento, se não agora, quando finalizar a pandemia. Isso tem que ser uma pauta prioritária. Os representantes estão lá e eles têm um débito. Eles têm que se pronunciar sobre esse tema. E se for o caso de dizer não, não vamos prosseguir com a execução em segunda instância, então que assim seja, mas assumir a responsabilidade”, declarou.

A sugestão de prisão em 2ª instância foi defendida para ser aprovada junto com o pacote anticrime. O Congresso tirou o projeto do pacote porque entendeu que a discussão deveria ser feita por PEC (Proposta de Emenda à Constituição).

A justificativa é de que a Constituição não permite que o assunto seja tratado por projeto de lei, como sugeriu Moro. Defensores da pauta acusam partidos do centrão de manobrar para atrasar a discussão do projeto.

À época das discussões do pacote, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que Moro atuava para acuar instituições.