Treinos fortalecem sistemas respiratório e imunológico, o que contribui para diminuir a gravidade de infecções provocadas pelo coronavírus.

Uma revisão de estudo científicos feita pela Universidade Istanbul Gelisim, na Turquia, trouxe uma boa notícia para quem está em dia com os exercícios físicos. Aumentar a capacidade aeróbia pode produzir melhorias seguras de curto prazo na função dos sistemas imunológico e respiratório, que estão entre os mais afetados pela infecção provocada pelo coronavírus. O estudo foi publicado na revista científica Diabetes & Metabolic Syndrome: Clinical Research & Reviews.

Para realizar o levantamento, os pesquisadores utilizaram dados dos bancos de base do Web of Science, Scopus, EBSCO e Medline. A revisão descobriu que as melhorias de curto prazo no sistema imunológico e respiratório de pessoas ativas ocorrem graças a três mecanismos.

O primeiro seria o aumento no nível e na função de células imunológicas e das imunoglobulinas, regulando os níveis de CRP (proteína c-reativa) e diminuindo a ansiedade e a depressão. A CRP é uma proteína produzida principalmente por células hepáticas em infecções bacterianas e exerce ação variada contra as bactérias.

As atividades físicas aeróbicas também agem como um antibiótico, antioxidante e antimicótico, restaurando a elasticidade e a força do tecido pulmonar normal. Por fim, os treinos regulares conseguem diminuir os fatores de risco do coronavírus, o que ajuda a reduzir tanto a incidência quanto a progressão da doença.

Cuidado com exageros

No entanto, em excesso, os exercícios físicos podem fazer mal. Fabio Ceschini, fundador da plataforma Viajando pela Fisiologia, explica que os melhores exercícios para preservar a imunidade são os de intensidade leve e moderada.

De acordo com ele, exagerar em atividades de ritmo intenso pode aumentar a resposta inflamatória do organismo, principalmente em iniciantes. Com a idade, o sistema imune passa a ser menos ativo para a defesa do organismo e mais ativo para o desenvolvimento de substâncias inflamatórias.

“Para quem é sedentário e vai começar a treinar, a única intensidade indicada é a leve, com movimentos que possibilitem um tempo hábil de resposta do sistema imune”, detalha Ceschini.

Caminhar, pedalar e correr são boas opções para quem está querendo começar uma atividade. Segundo o especialista, a intensidade adequada é aquela na qual a pessoa consegue conversar durante o exercício.

Quem já está habituado às atividades físicas e quer intensificá-las, deve evitar realizar treinos muito pesados todos os dias. “O treino vigoroso pode diminuir o número dos chamados ‘neutrófilos’, a primeira barreira que um vírus encontra quando chega ao organismo”, justifica Ceschini.

Como iniciar ou retomar uma rotina segura de exercícios

Não tente recuperar o tempo perdido: a retomada sem o acompanhamento de um profissional pode desencadear, além da disfunção do sistema imune, sérias lesões;

No caso de caminhadas, corridas ou pedaladas, o indicado é praticar 30 minutos diários. Melhor pouco tempo diariamente do que 60 minutos três vezes por semana;

Se possível, fracione a sessão (independentemente do tipo de exercício) em períodos mais curtos duas vezes ao dia, como por exemplo, 15 minutos pela manhã e 15 minutos à noite;

Em treinos (como musculação), o ideal é intercalar um dia de treino com outro de descanso;

Evite modelos de exercícios com maior mobilização de massa muscular, como correr em alta velocidade, para evitar a hiperventilação durante a prática;

Havendo desconforto com a máscara, como tontura e aceleração da respiração, reduza a intensidade e aumente o tempo de intervalo dos exercícios;

Hidrate-se antes, durante e após a atividade física.

Fonte: Metrópoles