Um pouco da história da independência do Estado do Amazonas

Conhecido como “Semana da Pátria”, o feriado de setembro é esperado pela população amazonense, que além da Independência  do Brasil no dia 7 de setembro, também tem o feriado estadual do dia 5 de setembro, quando é comemorado a Elevação do Amazonas à categoria de Província, ou seja, quando a Capitania de São José do Rio Negro tornou o Amazonas em 1850, sendo independente da Província do Grão-Pará.  Na data também é comemorado o Dia da Amazônia, alvo de uma das maiores preocupações mundiais nos últimos anos.

No dia 5 de setembro de 1850 foi assinado o decreto para a oficialização da independência administrativa, econômica e política do Amazonas da província do Pará. O processo de independência possui duas personalidades importantes na história: Dom Romualdo Seixas e Tenreiro Aranha. Com forte influência da igreja católica na sociedade provincial, Dom Romualdo de Seixas era bispo da igreja católica e também exercia o cargo de deputado da Província do Pará e foi o responsável  pela criação e apresentação do processo na Assembleia Provincial, que tornaria o Amazonas uma província independente do Pará. Após a assinatura do decreto, Tenreiro Aranha foi o primeiro a ser nomeado pelo imperador e então Presidente da Província do Amazonas, cargo que passou a ser denominado como governador. 

Dom Romualdo Seixas, nomeado como Bispo primário pela Família Real Portuguesa, recebeu o título de Marquês de Santa Cruz e teve forte influência na decisão para tornar a província do Amazonas independente. Romualdo Seixas foi patrono do Instituto Histórico e Geográfico de Manaus, posição que o historiador Abrahim Baze ocupa atualmente. 

Segundo o historiador, a independência do Amazonas teve forte rejeição da Província do Pará devido fatores econômicos e políticos. “Havia uma rejeição da província do Pará porque a produção da borracha e soja era realizada aqui no Amazonas e enviado para o Pará para exportação. Então com o processo apresentado por Dom Romualdo sofreu grande oposição, mas foi assinado na assembleia no dia cinco de setembro”, destaca o historiador 

Um dos principais fatores da oposição da Província do Pará estavam relacionados a possível não autonomia do Estado. Fato que foi comprovado no desenvolvimento da província do Amazonas até nos dias atuais. “O principal benefício para o Amazonas com esse processo na época foi a autonomia política e econômica, aqui eram produzidos as borrachas e também exportados, os impostos das exportações passaram a ser recolhidos unicamente do Amazonas e não iam mais para a província do Pará”, comenta Baze.

Após o período de cinco de setembro, a autonomia política e econômica do Amazonas passou a seguir novos caminhos: o ciclo da borracha e a Zona Franca de Manaus (ZFM). Entre 1880 e 1914, a borracha produzida no Amazonas era um dos principais produtos de exportações do país,  período que ficou conhecido como Ciclo da Borracha, tornando a economia local uma das principais do país. O momento proporcionou ao Amazonas construções luxuosas e urbanização. A capital amazonense foi uma das primeiras cidades brasileiras a receber energia elétrica no Brasil e a viver um período conhecido como Belle Époque.

Após a queda da borracha, a economia amazonense sofreu grandes alterações e em 1970 com a criação da Zona Franca de Manaus, a economia no Estado voltou a ser consolidada.

A história de independência econômica, cultural e social do Amazonas também está interligada a preservação da Floresta Amazônica. A data também levou a criação do Dia da Amazônia, que tem patrimônios culturais e da sociedade, como o Encontro das Águas e o estado brasileiro que possui maior parte da Floresta Amazônica, sendo alvo de preocupação e interesse mundial.

Fonte : Em Tempo