Shoppings, restaurantes e comércios não podem abrir a partir de sábado (26), pelo período de 15 dias. Governo diz medida foi tomada por conta de alta de casos e internações por Covid-19.

Após o Governo do Amazonas anunciar o novo fechamento de shoppings, restaurantes e comércio não essencial, empresários criticaram a medida e mostraram insatisfação com a determinação. Segundo o governo, os estabelecimentos estarão proibidos de abrir a partir deste sábado (26), por 15 dias, por conta do aumento de casos e internações da Covid-19.

Veja o que pode e não pode abrir no Amazonas a partir de sábado (26)

Até esta quarta-feira (23), mais de 5,1 mil pessoas morreram com a Covid-19 no Amazonas, e mais de 194 mil foram infectadas. O número de pessoas internadas, atualmente, passa de 500.

Para o empresário Aly Bawab, que atua no Centro de Manaus, a medida prejudica o setor, de modo geral. Segundo ele, há a necessidade de que o comércio permaneça aberto pelos próximos dias por conta do Natal e Ano Novo.

“Nós, comerciantes, não somos contra o decreto ou contra o fechamento, mas sim contra uma decisão que foi tomada a prejudicar todo o comércio, quando todos nós sabemos que o comércio não é o culpado pelo status atual”, disse.

Nesta quarta, o governador Wilson Lima disse que o avanço da Covid no Amazonas tem relação com eventos que geram e geraram aglomerações, como as festas de fim de ano e as eleições municipais.

A notícia do fechamento do comércio pegou muita gente de surpresa, principalmente por conta do aumento das contratações temporárias de fim de ano, que foi apontada pelo setor como retomada da economia.

Segundo a empresária Muna Hajojum, que também atua no Centro da capital, neste período do ano os comerciantes assumem mais compromissos e empregam um número maior de pessoas, para atender a demanda, e a suspensão repentina pode ser prejudicial.

“De maneira alguma o comércio tem a ver com os aumentos de casos de Covid. Nós trabalhamos a céu aberto e estamos tomando todas as medidas. Com certeza não é o comércio que está causando o aumento no número de casos. Esse ano foi difícil, e esperávamos por essa data para cobrir uma parte do estrago que foi feito no início da pandemia”, comentou.

A suspensão foi anunciada pelo governo durante reunião com entidades do setor. O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (Fecomércio AM), Aderson Frota, disse que a entidade sugeriu algumas medidas, como o funcionamento de forma gradativa, e espera um retorno do governo.

“Entendemos o momento, mas acreditamos que o problema da alta nos hospitais vem desde o período eleitoral, por conta das aglomerações. No mais, fomos pelo bom senso e entendemos, aderimos e nos resguardamos”, contou.

Fechamento do comércio no fim de ano

Com as novas medidas, haverá alteração no funcionamento de diversos setores e de atividades não essenciais.

Serão proibidos:

Eventos em geral;

Reuniões comemorativas;

Casamentos;

Formaturas;

Abertura de espaços públicos;

Poderão funcionar apenas por drive-thru e delivery – até 21h:

Shoppings;

Restaurantes;

Comércio não essencial;

Os hotéis poderão atender ao público, mas os restaurantes desses estabelecimentos devem atender apenas os hóspedes.

Conforme o governo, feiras e mercados poderão funcionar, mas os horários ainda devem ser estabelecidos, e o serviço intermunicipal será mantido, mas com intensificação das fiscalizações. As atividades da indústria também estão autorizadas a funcionar.

O governador Wilson Lima afirmou que os eventos clandestinos de fim de ano devem ser fechados, e os equipamentos de som e iluminação, assim como bebidas, devem ser recolhidos pela polícia.

Internações por Covid em alta

Em coletiva de imprensa, nesta quarta-feira (23), o governador Wilson Lima afirmou foi constatado um aumento significativo de casos de Covid-19 no Amazonas, sobretudo a ocupação na rede pública de saúde. Segundo Lima, a rede privada de saúde também registrou alta nas internações – com 85% de ocupação.

O Hospital Delphina Aziz, referência no atendimento de casos de Covid, atualmente se encontra com 94% dos leitos clínicos ocupados, e 99% de ocupação nos leitos de UTI. O governador ressaltou que, nos últimos 35 dias, foram instalados 50 novos leitos de UTI na unidade, praticamente todos já estão ocupados.

“Os números indicam que os que são mais contaminados pelo vírus são pessoas entre 20 e 49 anos de idade, mas quem está morrendo mais são aqueles que têm acima de 60 anos de idade. E eles representam 73% dos mortos”, disse Lima.

Fonte: G 1