Ensaios clínicos em seres humanos estão programados para junho. Medicamento mostrou eficácia contra variantes em testes com animais.

Uma vacina contra o coronavírus em forma de comprimido começará a ser testada em seres humanos ainda em junho deste ano. Fabricado pela empresa Oravax, o imunizante usa a técnica VLP, sigla em inglês para partícula semelhante ao vírus e tem como alvo três proteínas estruturais do coronavírus, o que o tornaria capaz de proteger também contra mutações emergentes.

Por enquanto, só foram conduzidos estudos pilotos em animais. De acordo com o comunicado da fabricante, a vacina oral promoveu imunidade sistêmica por meio da Imunoglobulina G (IgG), anticorpo presente no sangue e fluidos corporais que protege contra infecções virais, e Imunoglobulina A (IgA). Os resultados dos testes ainda não foram publicados em revistas científicas especializadas.

As vacinas orais são uma opção de “segunda geração”, projetadas para serem mais escalonáveis, mais fáceis de administrar e mais simples de distribuir. Em tese, como a infecção por Sars-Cov-2 ocorre primeiro no nariz e na garganta, imunizantes concentrados nessas áreas ajudariam a interromper a infecção antes que ela evoluísse para algo pior, segundo especialistas da Oravax.

O fabricante reforça que não há garantia de sucesso e, mesmo se o medicamento funcionar, pode levar um ano ou mais para que o produto seja autorizado para uso. Para efeito de comparação, as vacinas contra a Covid-19 desenvolvidas pela Moderna e pela Pfizer passaram por seus primeiros testes em humanos entre março e abril de 2020, mas só começaram a ser aplicadas no fim do ano passado.

Segundo Nadav Kidron, um dos desenvolvedores do imunizante, uma vacina oral poderia “potencialmente permitir que as pessoas tomem a vacina em casa”. Outra vantagem seria o fato de o medicamento poder ser conservado em uma geladeira normal, ou seja, sem a necessidade de temperaturas extremamente baixas, tornando mais fácil distribuí-lo para qualquer lugar do mundo.

Cientistas investigam outros tipos alternativos de vacinas, como as administradas por spray nasal e por meio de adesivos.

Fonte: Metrópoles