No ano passado, em virtude do distanciamento social imposto pela crise sanitária, 33,6% das consultas dermatológicas foram adiadas.

Em agosto de 2019, Patrícia percebeu que estava com uma mancha no rosto que mudava de tamanho dependendo do dia. Entre algumas consultas no dermatologista e a pandemia, demorou quase um ano para que ela conseguisse o diagnóstico de câncer de pele. “Até então, era uma uma ‘manchinha’. Foi bem no ano em que eu havia perdido a minha mãe. Eu achava que era a parte emocional. Você não leva como um câncer de pele. A gente não lembra que lá atrás, muitos anos atrás, eu abusava [do sol]”, relata. Depois do diagnóstico, Patrícia fez uma cirurgia no local e está bem. “Agora é fazer o acompanhamento de seis em seis meses e protetor, que é uma coisa que a gente não usa, pelo menos eu nunca fui de usar. A dermatologista me pediu para que usasse todos os dias, mesmo em casa, porque a luz, a televisão, tudo isso prejudica [a pele]”, explicou.

O caso dela, no entanto, não foi o único que demorou para ser tratado. No ano passado, 21% dos melanomas, o tipo mais agressivo de câncer de pele, não foram diagnosticados por conta da Covid-19, ou seja, um em cada cinco casos que surgem no mundo. Os dados são pesquisa mundial realizada pela Coalizão Global para Defesa do Paciente com Melanoma, que também descobriu que 33,6% das consultas ao longo de 2020 foram adiadas. A dermatologista Talita Pompermaier explica que pessoas de pele, olhos e cabelos claros tem mais propensão a desenvolver a doença, mas que o ideal é que todos fiquem atentos e mantenham consultas periódicas com especialistas. “Os principais sinais são pintas, manchas suspeitas na pele. Elas podem ser escuras, de tonalidade rosa, avermelhada ou até mesmo branca. E também lesões que não cicatrizam, uma ferida tipo picada de inseto, mas de origem desconhecida. Mesmo quando o paciente não apresenta sinais ou sintomas, ou que apresentam sardas e pintas na pele, sem nenhum desses sintomas como ulceração, feridas, precisam consultar um dermatologista uma vez ao ano”, disse a médica. Além disso, é importante ficar atento a fatores genéticos e manter o uso diário, pelo menos três vezes ao dia, do protetor solar – mesmo dentro de casa.

Fonte: JP Noticias