Relatório do Banco Mundial aponta que a crise sanitária deve provocar cicatrizes mais intensas nos trabalhadores menos qualificados, com aumento da informalidade e a redução dos salários.

A crise econômica causada pela pandemia deve provocar efeitos negativos sobre empregos e salários no Brasil por nove anos. A conclusão é de um relatório do Banco Mundial sobre o emprego na América Latina pós-Covid. Segundo o documento divulgado nesta terça- feira, a pandemia deve provocar cicatrizes mais intensas nos trabalhadores menos qualificados, com aumento do desemprego e da informalidade e a redução dos salários. Já os trabalhadores com ensino superior não devem sofrer o impacto no bolso. Ainda segundo o Banco Mundial, as perdas de emprego duram mais para empregados com carteira assinada de setores primários, como agricultura, pecuária, pesca e extrativismo mineral. O professor de Economia do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais, Alexandre Pires, avalia que a crise atingiu principalmente o mercado informal. Segundo ele, medidas urgentes são necessárias para reverter o cenário.

“Que são políticas que tentam aliviar esses choques negativos, como esses da Covid-19, por meio de programas de seguro-desemprego, uma rede de segurança social ampliada com polícias maiores de transferência de renda, o que é bastante difícil de ser ampliado. E políticas de alívio tributário, o que também é difícil, já que as receitas do Estado ficaram prejudicadas em razão da desaceleração da economia”, afirmou. Durante participação no “A Voz do Brasil”, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o governo conseguiu manter a economia funcionando durante a pandemia, salvando empregos. “Terminamos 2020, o ano do início da pandemia, com um número de empregos formais maior do que dezembro de 2019. E agora, até o momento, o mercado criou mais de 1,3 milhão de empregos. Então estamos bastante animados pela recuperação da economia”, disse. De acordo com o IBGE, o desemprego no Brasil chegou a 14,7% no primeiro trimestre do ano e se manteve em patamar recorde, atingindo 14,8 milhões de pessoas.

Fonte: JP Noticias