Manaus | 4 de junho de 2026 | 17:37:25

Desvendando a ligação entre coágulos sanguíneos e a névoa cerebral na covid longa

Pesquisadores de Oxford descobrem a influência do fibrinogênio e dímero D nos sintomas cognitivos pós-covid.

A Covid longa continua a desafiar a compreensão médica, mas uma pesquisa pioneira realizada pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, lança luz sobre uma conexão intrigante. Altos níveis de proteínas associadas à coagulação sanguínea, especificamente o fibrinogênio e o dímero D, foram identificados como possíveis causadores da névoa cerebral persistente que afeta alguns pacientes por até um ano após a infecção.

Essa síndrome, que afeta pessoas que se recuperam da Covid-19, é marcada por uma série de sintomas debilitantes, sendo a névoa cerebral um dos mais prevalentes. A névoa cerebral se manifesta por meio de dificuldades na atenção, concentração, raciocínio, planejamento e memória, impactando significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

Os resultados deste estudo, publicados na revista Nature Medicine, representam um avanço crucial no entendimento da Covid longa. A pesquisa foi conduzida com base em dados de aproximadamente 1,8 mil adultos hospitalizados com Covid-19 no Reino Unido em 2020 e 2021. Os pacientes foram submetidos a exames de sangue durante a hospitalização, seis e 12 meses após a admissão, além de responderem a questionários e realizarem testes cognitivos nesse período.

Os pesquisadores descobriram que indivíduos com níveis elevados de fibrinogênio no sangue no momento da hospitalização apresentaram os piores desempenhos em testes de memória e atenção. Além disso, eles relataram uma queda em suas habilidades cognitivas gerais nos questionários. O fibrinogênio é conhecido por aumentar em resposta à inflamação dos tecidos e está ligado à formação de coágulos sanguíneos.

O grupo com níveis mais elevados de fibrinogênio também avaliou seus problemas cognitivos como sendo 0,7 pontos piores em uma escala de zero a sete no acompanhamento de seis meses. Na avaliação objetiva das competências cognitivas, a diferença foi mais sutil, com cerca de 0,7 pontos mais baixos em uma escala de 30 pontos.

Além disso, os resultados apontaram para níveis elevados de dímero D no sangue de pessoas com déficits cognitivos aos seis e 12 meses após a infecção por Covid-19. Esses pacientes também eram mais propensos a relatar fadiga, dificuldade para respirar e dificuldades no trabalho. O dímero D está relacionado à coagulação nos pulmões, afetando a respiração.

Embora este estudo não explique completamente como essas proteínas influenciam a névoa cerebral, o pesquisador Maxime Taquet, psiquiatra da Universidade de Oxford, acredita que o fibrinogênio pode contribuir para a formação de coágulos que prejudicam a circulação sanguínea no cérebro, interagindo diretamente com receptores no sistema nervoso. Essa descoberta abre caminho para novas pesquisas e tratamentos potenciais para aliviar os sintomas da Covid longa.

É importante destacar que o estudo teve algumas limitações, incluindo a análise apenas de pacientes não vacinados e que enfrentaram formas graves da doença, mas ressalta a complexidade e a necessidade contínua de investigação sobre a Covid longa, que pode afetar mesmo aqueles que tiveram formas leves da infecção.

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