Manaus | 4 de junho de 2026 | 18:02:35

Criadores do Marcha para Jesus já foram presos por dólares na Bíblia

Criada em 2015, a Marcha para Jesus, que levou milhares de fiéis às ruas de São Paulo nesta quinta-feira (30) nasceu da iniciativa do apóstolo Estevam Hernandes e sua mulher, a bispa Sônia Hernandes, ambos líderes da Igreja Apostólica Renascer em Cristo.

Antes de ganhar destaque por esse evento, que se replica em outros estados, o casal ocupou considerável espaço nas manchetes há 17 anos, mas por razões bem diferentes.

Naquele período, os dois foram detidos ao desembarcar no aeroporto de Miami, nos Estados Unidos, onde possuem propriedade. Estevam e Sônia foram presos por portarem US$ 56 mil ocultos entre bíblias, embora tivessem declarado à alfândega que possuíam apenas US$ 10 mil.

Na ocasião, o advogado do casal, Luis Flávio Borges D’Urso (na época presidente da Ordem dos Advogados do Brasil), argumentou que houve um equívoco no preenchimento dos formulários, pois estavam acompanhados de familiares, totalizando um grupo de 5 pessoas, o que, de acordo com a legislação norte-americana, permitiria uma movimentação de até US$ 70 mil.

O casal foi acusado de evasão de divisas e teve que pagar uma fiança no valor de US$ 100 mil para aguardar o processo em liberdade sob vigilância.

Em sua audiência para decidir o caso, Estevam e Sônia admitiram a culpa e expressaram arrependimento. O advogado do casal solicitou ao juiz que considerasse a humanidade ao proferir a sentença, argumentando que o dinheiro seria usado para evangelizar pessoas naquele país.

O juiz Frederico Moreno sentenciou Estevam e Sônia a uma pena de 140 dias de reclusão em regime fechado em fases intercaladas pelo motivo de um dos dois ter que cuidar dos filhos durante a ausência do outro. Foi imposta também uma multa no valor de U$ 30 mil para cada um.

Acusações no Brasil

No Brasil, o casal enfrentou processos por suposta lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e estelionato. Após admitirem culpa no caso de evasão de divisas nos Estados Unidos, a promotoria solicitou a prisão preventiva, citando sua ausência em uma audiência judicial em dezembro de 2006. A Justiça de São Paulo atendeu ao pedido.

No entanto, em março de 2008, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogou a decisão, concedendo um novo habeas corpus ao casal. A turma do STJ justificou na época que eles estavam sofrendo constrangimento ilegal e consideraram a prisão preventiva como excessiva.

Em julho de 2012, todos os processos contra Estevam e Sônia no Brasil foram encerrados, e foram inocentados de todas as acusações de lavagem de dinheiro e associação criminosa. Após essa determinação, o casal voltou ao Brasil, retomando suas atividades religiosas sem impedimentos.

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