A comissão que possui quatro aliados ao ex-governador Amazonino tem como alvo o atual governador Wilson Lima.

A CPI da Saúde da Assembleia Legislativa do Amazonas negou nesta segunda-feira (27) o requerimento apresentado pelo ex-governador interino David Almeida, que pediu para ser ouvido pela comissão.

Na reunião de hoje da CPI, foi lido o documento apresentado por David, que desejava dar explicações sobre supostas irregularidades ocorridas na Secretaria Estadual de Saúde (Susam) em 2017, período que ele foi chefe do executivo.

O presidente da CPI, deputado Delegado Péricles, leu o documento e disse que, neste momento, não aceitaria o depoimento. “Indefiro esse pedido até para dizer a todos que essa CPI não investiga diretamente pessoas, mas apura fatos com suspeita de ilegalidade”, afirmou Péricles.

Na semana passada, a comissão apresentou um relatório onde aparecem irregularidades cometidas pela empresa Norte Serviços Médicos, que possui contrato com a Susam desde 2017. Ano em que David Almeida ocupou o cargo de governador interino do Amazonas em exercício, em substituição ao ex-governador José Melo.

A empresa começou a ser investigada por prestação de serviços para Susam no período da pandemia, com contratos que teriam um valor elevado  em uma lavanderia com o mesmo endereço que uma oficina. Porém, a Norte Serviços recebeu recursos também na gestão de David Almeida, que foi de maio de 2017 a outubro de 2017. Depois de David, assumiu Amazonino, de outubro de 2017 a dezembro de 2018 e, de acordo com a CPI, foi a segunda administração que mais pagou a mesma empresa.

O portal A Repórter conversou com David Almeida logo após ele saber que a CPI havia indeferido seu depoimento. O ex-governador disse que vai recorrer à Justiça para que a comissão analise os documentos que comprovam que não existiram ilegalidades em seu mandado.

“Tenho documentos importantes para apresentar à investigação que provam que não tenho ilegalidades em minha gestão”, destacou David Almeida. E desafia ainda que Amazonino Mendes também seja ouvido pela comissão. Os documentos que ele tem em mãos podem comprometer a gestão do seu sucessor.

Dos cinco membros que compõem a CPI, quatro são aliados diretos de Amazonino. Além de Péricles, o grupo é composto por Wilker Barreto (Podemos), Fausto Júnior (PV), Dermilson Chagas (Podemos) e Serafim Corrêa (PSB). E isso pode ser o motivo pelo qual o pedido foi negado. Até o momento a comissão não investigou a gestão de Amazonino frente a Susam.