Pesquisadores acreditam que transformação pode ser uma das explicações para os sintomas da Covid.

Mais de um ano após o surgimento do novo coronavírus, a ciência continua descobrindo diferentes maneiras pelas quais o vírus afeta o corpo humano. Pesquisadores do Instituto Max Planck de Ciências da Luz, na Alemanha, descobriram que a Covid-19 pode ser responsável por mudanças nas células do sangue que duram meses após a infecção. O estudo foi publicado na revista científica Biophysical Journal.

Os cientistas desenvolveram uma máquina capaz de analisar centenas de células sanguíneas por segundo para verificar mudanças no tamanho e na estrutura. Amostras do sangue de 55 pessoas, sendo 17 com Covid-19 grave (metade deles morreu após a análise), 14 recuperados e 24 participantes saudáveis, que nunca tiveram a doença foram analisadas. Ao todo, cerca de 4 milhões de células passaram pelo sistema.

Nos pacientes com Covid-19, as células vermelhas do sangue, as hemácias tinham tamanhos variados, diferente do que é encontrado em indivíduos saudáveis, e mostravam sinais de pouca elasticidade em sua estrutura, o que pode afetar a capacidade de carregar oxigênio.

Os leucócitos, as células brancas, demonstraram pouca dureza, e outras células de defesa, como os monócitos, eram maiores nos pacientes da Covid-19 do que no grupo controle. Os neutrófilos, outro tipo de célula branca, apesar de terem um ciclo de vida de apenas 24h, apresentaram mais deformações, mesmo meses depois da infecção.

Os efeitos foram encontrados também em pacientes que não estavam mais com a infecção ativa e se recuperaram completamente. A pesquisadora Markéta Kubánková, à frente do estudo, considera os resultados como “totalmente inesperados”.

“Nossa hipótese é que as mudanças observadas possam ter surgido devido a alterações citoesqueléticas nas células imunes. As propriedades mecânicas das células podem ser diretamente relacionadas ao citoesqueleto, uma estrutura de suporte importante, que também determina a função celular”, escrevem os cientistas.

Eles afirmam ainda que as alterações persistentes podem estar relacionadas ao sintomas a longo prazo experimentados por alguns pacientes, fenômeno conhecido como Covid persistente, ou prolongada. “As mudanças no fenótipo das células do sangue poden contribuir para problemas de circulação e entrega de oxigênio ligados à Covid-19 a longo prazo”, dizem.

Fonte: Metrópoles