Na Semana Mundial do Aleitamento Materno, pediatras esclarecem questões comuns às lactantes.

A pandemia do coronavírus tem feito surgir diversas dúvidas quanto à amamentação em casos de Covid na mãe ou no bebê. Em virtude do Agosto Dourado, mês de campanhas de apoio ao aleitamento materno, pediatras explicam que as mães podem amamentar, ainda que estejam com suspeita ou tenham sido diagnosticadas com Covid-19.

Segundo Stephânia Laudares, pediatra do Órion Complex, o aleitamento é uma prioridade e a mãe deve amamentar até o momento que se sentir confortável, mas é preciso tomar cuidados com a manipulação do bebê, higienização das mãos e seios, além do uso de máscara.

“A mãe deve lavar bem as mãos antes de qualquer procedimento com o bebê, usar a máscara em todo momento e, sempre que possível, ficar com distanciamento de dois metros. Estudos já foram feitos e concluíram que não há transmissão do coronavírus pelo leite materno. Assim, a amamentação deve ser estimulada sempre”, recomenda a especialista.

Ela também orienta sobre a situação invertida, quando o bebê está infectado pelo coronavírus. Neste caso, a recomendação também é que a amamentação não seja suspensa. “Os bebês infectados também devem ser amamentados e os cuidados com uma criança com Covid-19 são os mesmos de outras infecções por vírus. É preciso verificar a febre e, se for o caso, fazer uso de antitérmico, manter a hidratação e realizar lavagem nasal abundante com soro fisiológico, além do acompanhamento com pediatra”, explica.

Vacina sim

Para reiterar a importância da amamentação e da vacinação contra o coronavírus, existem evidências de que mães vacinadas podem transmitir anticorpos para os filhos.

Uma pesquisa do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo com lactantes que tomaram a Coronavac indicou a presença de anticorpos para Covid-19 no leite materno até quatro meses depois da vacinação. Já nos Estados Unidos, estudo com gestantes e lactantes que receberam as duas doses da vacina da Pfizer/BioNTech ou da Moderna apontou a presença de anticorpos no sangue do cordão umbilical e no leite materno das participantes.

“É imprescindível que as mães garantam sua própria imunização, de acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde, pensando em sua segurança e na do bebê, que está em constante contato com a mãe”, reforça a pediatra Karina de Almeida Vieira Antunes, uma das especialistas do site Doctoralia.

Para Karina, embora existam inseguranças em meio a pandemia, devem prevalecer os benefícios e a proteção que o aleitamento traz sobre a chance de contaminação, que pode ser evitada com os devidos cuidados. De acordo com ela, não há estudos sugerindo que o leite materno da mãe contaminada pelo coronavírus contamine também a criança.

“Se a mãe apresentar sintomas gripais e não se sentir segura para oferecer diretamente o leite para o bebê, pode contar com a ajuda de outros para ofertar em um copinho ou mamadeira adequados”, esclarece a pediatra.

O Brasil conta com 223 bancos de leite humano e 220 pontos de coleta espalhados por todos os estados e Distrito Federal. Para conferir o mais próximo a você, acesse o localizador elaborado pela Fiocruz.

Fonte: Metrópoles