Neste Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, descubra Socorro (SP), cidade adaptada ao turismo de aventura para todos os viajantes.

No imaginário popular, o conceito de acessibilidade para todos os viajantes — inclusive pessoas com deficiência e mobilidade reduzida — pode soar antagônico ao ecoturismo e à aventura. No entanto, a cidade de Socorro, no interior de São Paulo, prova que turismo acessível e adrenalina podem, sim, andar de mãos dadas.

O destino, a cerca de 140 quilômetros da capital paulista, oferece uma lista extensa de alternativas para os apaixonados pela famosa sensação de frio na barriga — com rafting, rapel, canionismo, tirolesas, passeios por grutas e o tradicional banho de cachoeira —, totalmente adaptados para viajantes com algum tipo de necessidade especial.

Mas, ao contrário do que se esperaria de um país com tamanho potencial turístico como o Brasil, na maior parte das cidades turísticas do país, brasileiros com deficiência ou dificuldades motoras precisam demonstrar paciência, força e fôlego de atleta, não para encarar os atrativos de aventura, mas para se locomover nos grandes centros urbanos.

De portas abertas

Esta sexta-feira (3/12), data em que se celebra o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, marca um momento de reflexão sobre as melhorias que devem ser feitas para garantir acessibilidade e inclusão social. No setor do turismo, roteiros brasileiros ainda têm um longo caminho a percorrer quando o assunto é garantir o livre trânsito de todos os viajantes — sem exceções.

“Pensar em acessibilidade é falar em um turismo para todos. É um conceito transversal — todas as modalidades de viagem deveriam ter essa característica. Ele depende de ambientes que possam oferecer acesso ao serviço de forma independente, autônoma e segura”, explica a professora Donária Coelho Duarte, do Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasília (UnB).

Na prática, pontos turísticos icônicos brasileiros oferecem adaptações e “ilhas de acessibilidade” em pontos específicos, segundo a especialista. Esse é o caso do Centro Histórico de Salvador; da Avenida Paulista, em São Paulo; e dos famosos Cristo Redentor e Pão de Açúcar, cartões postais do Rio de Janeiro que passaram por reformas após as Paralimpíadas, em 2018.

No entanto, o que se observa é que o turismo acessível se dá, predominantemente, em locais de melhor infraestrutura e costuma ter um valor mais alto. Na prática, ele “pode ser um privilégio para pessoas que possam pagar por esse serviço, e arcar com certos tipos de despesas”, pondera a professora. “O turismo deveria ser acessível para todos, entendendo que o turista tem direito a usufruir o serviço, não a preços mais caros do que pessoas que não tenham essas limitações”, complementa.

 Atrativos da cidade

A forma mais confortável de desembarcar em Socorro é partir de carro pela rodovia Fernão Dias (BR-381), que conecta as capitais São Paulo a Belo Horizonte. É o cenário da Serra da Mantiqueira que garante o clima vibrante, sem perder a conexão com a natureza — com atmosfera rural distribuída ao longo das elevações montanhosas a perder de vista.

Apesar de pequeno, o município de Socorro é movimentado pelo vaivém de apaixonados por esportes de aventura, entre eles, centenas de pessoas com mobilidade reduzida e tipos de deficiência. Por conta da localização, os atrativos do destino podem ser aproveitados em qualquer época do ano — tanto no verão, quanto no inverno.
As elevações e desníveis da cadeia montanhosa criaram rios de corredeira, ideais para rafting e canionismo, com cachoeiras e fontes de água mineral. Adicione  o charme do centro histórico feito de casarões do início do século XX. O clima de interior com jardins, restaurantes na calçada e coretos agrega à experiência.

Na hora de montar um roteiro, lembre-se de incluir o Parque da Pedra Bela Vista, que oferece experiências como expedições por dentro de grutas milenares, e um entardecer no mirante com opções gastronômicas típicas da região.

Também valem a visita a Gruta do Anjo, formação rochosa com diversos túneis e um lago de águas cristalinas; o mirante da Cachoeira Central, em pleno Rio do Peixe; o Centro de Lazer Pitauá, com passeios a cavalo e outras atividades rurais para curtir em família.

Fonte: Metrópoles