Manaus | 4 de setembro de 2026 | 17:56:56

Com aval do Papa Francisco, Vaticano ‘esclarece’ que não mudou doutrina após liberar bênção a casais do mesmo sexo

Santa Sé autorizou aceno não litúrgico a casais ‘em situações irregulares’ para a Igreja Católica

O Vaticano respondeu nesta quinta-feira às críticas internas depois de autorizar a bênção a casais “em situações irregulares”, incluindo aqueles formados por pessoas do mesmo sexo. Em respostas a questionamentos de bispos conservadores, a Santa Sé assegurou que a doutrina católica não foi alterada — isto é, só reconhece o matrimônio entre heterossexuais.

Num documento publicado em 18 de dezembro e aprovado pelo Papa Francisco, o Dicastério para a Doutrina da Fé autorizou a bênção de casais “irregulares” aos olhos da Igreja, incluindo casais que contraíram matrimônio mais de uma vez ​​e casais do mesmo sexo, desde que essa bênção fosse realizada fora dos rituais litúrgicos.

A nota, chamada “Fiducia suplicans” (“A confiança suplicante”), foi considerada na ocasião uma guinada doutrinária na Igreja e, com isso, provocou protestos de alguns bispos, especialmente em países africanos como Malawi, Nigéria, Zâmbia e República Democrática do Congo.

Em reação, o Dicastério divulgou nesta quinta-feira um comunicado de cinco páginas que pretende “esclarecer” o texto publicado em dezembro e lamentou a “confusão” sobre o sacramento do matrimônio, que continua estritamente reservado ao casais heterossexuais.

O prefeito (líder máximo) do Dicastério, cardeal argentino Víctor Manuel Fernández, indicou que embora a doutrina seja mantida, é necessário levar em conta “a delicada situação de certos países” onde a homossexualidade é rejeitada ou punida com prisão ou com a pena de morte.

O Vaticano esclareceu ainda que as bênçãos para os homossexuais “não são ritualizadas” e que se caracterizam “pela simplicidade e brevidade da sua forma” porque “não pretendem justificar algo que não é moralmente aceitável”.

A Igreja continua a condenar as relações homossexuais, que classifica como pecado.

Desde a sua eleição em 2013, o Papa Francisco tem insistido na importância da abertura da Igreja e, em particular, aos fiéis LGBTQIAPN+, mas os seus esforços encontraram forte resistência.

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