O presidente da Casa, Rodrigo Maia, disse que vai reunir líderes na próxima semana para decidir o que fazer com a deputada que virou ré.

Quando foi eleita deputada federal no Rio de Janeiro em 2018, com 196.959 votos, a pastora e cantora Flordelis (PSD) já estava tentando matar envenenado o marido, o pastor Anderson do Carmo, segundo denúncia do Ministério Público aceita pela Justiça carioca nesta semana. Em público, porém, ela se derretia de amor pelo companheiro.

Na Câmara, que vai debater na próxima semana como lidar com o caso internamente, o clima é de perplexidade entre parlamentares que convivem com a colega, agora acusada de ser mandante de um homicídio familiar.

As suspeitas que recaíram sobre a parlamentar de primeiro mandato desde que o pastor foi executado com 30 tiros na porta da casa dos dois em Niterói (RJ), no dia 16 de junho de 2019, não chegaram a repercutir fortemente na Casa até a divulgação de detalhes assombrosos do inquérito, nesta semana.

A Flordelis, que tenta marcar sua atuação legislativa pela defesa de pautas sociais, foi dado o benefício da dúvida por mais de um ano. Tanto que ela só foi suspensa de seu partido agora. A suspeita de participação dela no crime era considerada um tanto quanto anedótica por boa parte dos parlamentares num primeiro momento. E, após um período de luto, ela voltou ao trabalho este ano.

Sob o peso do noticiário, quem divide com Flordelis o local de trabalho tenta agora entender o que aconteceu por meio de sinais deixados pelo caminho. Mas tudo muito reservado, já que a deputada não se afastou de suas funções.

Publicamente, há um “silêncio ensurdecedor” entre colegas de convívio mais próximo com a deputada, segundo confidenciou uma fonte que não quis ter seu nome revelado.

Segundo essa fonte, hoje os mais próximos observam que, apesar do discurso de muito amor envolvido no casal, o pastor Anderson realmente desempenhava um papel muito controlador na relação, ficando responsável por todas as decisões políticas, de comunicação e de agenda.

Apesar de não ter cargo oficial, o pastor vinha sempre a Brasília com a esposa e participava de reuniões de bancada do PSD, por exemplo, falando antes da esposa detentora do mandato.

Outra colega de Flordelis afirmou que via constantemente sinais de cansaço no semblante da deputada ao longo de seu primeiro ano de mandato, fato que hoje credita ao estresse que a pastora e política vivia no período.

A pastora, segundo as mesmas fontes, jamais reclamou do marido, porém. “Até porque ele sempre estava por perto.”

Os relatos ouvidos são coerentes com as conclusões das investigações da polícia do Rio sobre a morte de Anderson, que apontaram que a deputada estava insatisfeita com a forma como o pastor estava conduzindo a igreja fundada por ela e as finanças da família, o que teria levado ao planejamento do assassinato.

O pastor, no perfil montado pelos investigadores, era uma pessoa controladora, que não dava espaço para a esposa na relação. Ela teria reagido a essa situação, segundo a polícia, arquitetando o homicídio dele com a ajuda de filhos biológicos e adotivos, além de uma neta.

Próximos passos

Flordelis não tem se manifestado desde que se tornou ré ao lado de outras 10 pessoas, quase todas de sua família. Ela sempre alegou inocência, e seu advogado classifica denúncia como fantasiosa.

Claramente constrangido ao ser questionado sobre o caso na última quarta (26/8), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), prometeu tratar do caso com a ajuda dos líderes partidários. “Estamos aguardando o recebimento da documentação pelo Ministério Público. E, na próxima semana, vou fazer reunião da Mesa e depois uma reunião com os líderes. Vamos discutir o assunto e ver de que forma a Câmara quer encaminhar esse assunto. Vou reunir a Mesa, vou reunir os líderes e vamos decidir em conjunto. Eu não posso decidir tudo sozinho, não é o melhor caminho”, disse.

Fonte: Metrópoles