Pesquisadores de 4 países, liderados pela Universidade de Lund, na Suécia, publicaram artigo na revista ‘JAMA’ que mostra a eficácia do que pode vir a ser o primeiro diagnóstico laboratorial acessível da doença.

Um estudo publicado nesta terça-feira (28) apresenta o que pode ser o primeiro exame de sangue capaz de diagnosticar o Alzheimer. Atualmente, a doença é detectada por exclusão e relatos de familiares, com um mapeamento do cérebro feito com segurança após a morte. De acordo com os autores, o novo teste foi capaz de discriminar a doença sem confusão com outros problemas degenerativos.

Inicialmente, os pesquisadores queriam responder se o índice de uma proteína encontrada no plasma, a fosfo-tau217, é capaz de diferenciar o Alzheimer de outras doenças neurodegenerativas. Isso por que, de acordo com os especialistas, os níveis da fosfo-tau217 aumentam cerca de sete vezes em caso de Alzheimer e, em indivíduos com o gene que causa a doença, a taxa já começa a aumentar 20 anos antes do início do comprometimento cognitivo.

O estudo observacional incluiu 1.402 pacientes divididos em três grupos e concluiu que sim, é possível usar um teste para analisar esse biomarcador (proteína fosfo-tau2017) como forma eficiente de detectar a doença. Os resultados foram apresentados na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer e publicados na revista “JAMA” simultaneamente.

Assinam autores suecos, americanos, colombianos e alemães, liderados por Oskar Hansson e Sebastian Palmqvist, da Universidade de Lund, principal instituição responsável pelo artigo. É importante ressaltar que, de acordo com os cientistas, apesar dos bons resultados, ainda são necessárias mais pesquisas com populações mais diversas e em estudos randomizados – participantes selecionados de forma sorteada, sem influência externa possível nos resultados.

Em entrevista ao “The New York Times”, o pesquisador da Universidade da Califórnia, Michael Weiner, disse que o exame de sangue conseguiu mostrar “com muita precisão quem tem a doença no cérebro, incluindo pessoas que parecem não ter Alzheimer”. Ele não assina o estudo, mas comenta:

“Não é uma cura, não é um tratamento, mas você não pode tratar a doença sem poder diagnosticá-la. E o diagnóstico preciso e de baixo custo é realmente emocionante, por isso é um avanço.”

No Brasil, de acordo com dado de 2017 do Ministério da Saúde, estima-se que 1,1 milhão de pessoas tenham Alzheimer. Alguns dos sinais são: falta de memória; repetição da mesma pergunta; dificuldade para acompanhar conversações ou pensamentos; dificuldade para dirigir e encontrar caminhos; irritabilidade; agressividade ou passividade; interpretações erradas de estímulos visuais ou auditivos; isolamento.

Fonte: G1