Estudo publicado na revista Science identifica mutações genéticas que protegem o corpo contra o sobrepeso e prevê novos tratamentos.

A medicina genética anunciou uma importante descoberta para quem enfrenta a obesidade. De acordo com um novo estudo publicado na revista Science, na última sexta-feira (2/7), pesquisadores da farmacêutica americana Regeneron encontraram mutações no gene GPR75 que resistem ao ganho excessivo de peso.

A obesidade está ligada a diversas condições, incluindo diabetes, câncer e doenças cardíacas. Por isso, há grande interesse em compreender como os genes predispõem ou protegem os indivíduos da doença.

Estima-se que 2,8 milhões de pessoas no mundo morrem todos os anos por excesso de peso ou obesidade clínica. No Brasil, dados da Pesquisa Nacional de Saúde, divulgados pelo governo federal em 2019, apontam que há 41,2 milhões de adultos obesos no país.

Segundo George Yancopoulos, cofundador e diretor científico da Regeneron, essa descoberta “nos permitirá desbloquear todo o potencial da medicina genética, instruindo sobre onde implementar abordagens de ponta, como edição e silenciamento de genes e outras tecnologias.”

O estudo também mostra que “é possível generalizar essa abordagem para outras doenças associadas, como diabetes tipo 2, doenças cardíacas e outros distúrbios metabólicos”, aposta Luca Lotta, epidemiologista genético da Regeneron, durante o anúncio dos resultados da pesquisa.

Ainda de acordo com Lotta, os cientistas agora investigam como as variantes do gene GPR75 funcionam, qual é o impacto que elas têm no apetite e no metabolismo das pessoas. “Estamos extremamente entusiasmados por ter encontrado essa associação e estamos empenhados em compreender se este caminho pode ser modificado terapeuticamente”, declarou o epidemiologista.

Agora, o time de desenvolvedores de medicamentos da farmacêutica está buscando uma fórmula que imite as propriedades protetoras das variantes do GPR75 para produzir novos remédios para pacientes obesos.

Amostra expressiva

No estudo, que até o momento é o mais amplo na codificação genética vinculada à obesidade, a equipe de cientistas sequenciou os genomas de mais de 640.000 pessoas do México, Estados Unidos e Reino Unido. Os participantes da pesquisa foram selecionados aleatoriamente, o que permitiu aos pesquisadores mais diversidade de corpos obesos e não-obesos. A grande quantidade de participantes foi imprescindível para que os cientistas chegassem às variantes genômicas mais raras.

Após identificar onde a mutação ocorre, os pesquisadores observaram como o GPR75 influencia o ganho de peso em roedores. Para isso, eles modificaram geneticamente os animais para que não tivessem uma cópia funcional do gene.

O resultado chamou a atenção porque quando foram alimentados com uma dieta rica em gordura, os ratos que não possuíam o gene ganharam 44% menos peso em comparação com aqueles que estavam com o gene ativo. Os ratos modificados também tiveram melhor controle do açúcar no sangue e foram mais sensíveis à insulina.

As variantes do GPR75 que desativam o gene e evitam o desenvolvimento da obesidade são raras: apenas uma em cada 3.000 pessoas parece carregá-las, reforçando a importância de um estudo com maior quantidade e diversidade de pessoas analisadas.

Fonte: Metrópoles