A região amazônica passa por um período atrasado de transição climática que intensifica as mudanças repentinas do tempo em muitas cidades do Amazonas, como Manaus, resultado da atuação do fenômeno El Niño. O choque térmico de sol intenso e chuvas torrenciais no mesmo dia favorecem o surgimento de resfriados. Idosos e crianças precisam de atenção especial e cuidados médicos especializados.
Os primeiros meses de 2024 começaram com resquícios da forte temporada de estiagem do ano anterior. Segundo os registros do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), muitas cidades do Amazonas tiveram chuvas abaixo da média.
A capital do estado é um exemplo, em janeiro o acumulado esperado era de 305 milímetros (mm) contudo choveu apenas 154mm, metade do previsto.
Em fevereiro, o cenário mudou um pouco já que até o dia 19 choveu 70% do esperado para o mês, ou seja, 246mm dos 296,8mm. Por outro lado, as chuvas não foram bem distribuídas ao longo das semanas e isso fez com que dias marcados por sol intenso e tempestades fossem registrados na capital.
Uma das principais explicações para este cenário, de acordo com os especialistas, é a atuação do fenômeno El Niño, que aquece as águas oceânicas do Pacífico, aumenta as temperaturas e diminui a ocorrência de chuvas.
No entanto, ele também influenciou o ‘calendário do clima’ na região amazônica. O meteorologista Renato Sena explicou que deveríamos estar em um período chuvoso, mas o que se constata é um período ensolarado com chuvas pontuais. Esta é uma etapa de transição que normalmente ocorre no fim do segundo semestre. 
Metereologista Renato Sena falou sobre as mudanças do clima em decorrência do fenômeno El Niño. (Foto: Junio Matos)“Estamos vivendo em janeiro e fevereiro o que deveríamos ter vivido em novembro e dezembro do ano passado, que é a transição entre as estações seca e chuvosa. Já era pra estarmos estabilizados com um tempo chuvoso e nublado, não ensolarado e com pancadas de chuva. Ainda estamos indo ao processo final do El Niño”, disse o especialista.
Cuidados com a saúde
O atual período climático pode comprometer a saúde. Segundo o clínico geral, Iran Sadayoshi, quando se tem mudanças muito rápidas do tempo o corpo humano pode passar por choques térmicos e como consequência, ter a imunidade prejudicada, e favorecer o surgimento de doenças, como o resfriado é um exemplo.
“A situação é ruim tanto no calor extremo, quando o corpo pode ultrapassar a temperatura normal do corpo, chegando a uma hipertermia ou desidratação. No caso da chuva, ficar molhado por muito tempo pode causar um resfriado. Passar pelos dois, um choque térmico, é ainda pior”, comentou o clínico geral.
Idosos e crianças
De forma geral, o clínico também explicou que crianças e idosos fazem parte dos grupos que precisam de maior atenção e cuidados em períodos como o que a região amazônica passa atualmente.
Isso acontece porque eles tem certa dificuldade de relatar qualquer tipo de desconto, o que pode agravar o quadro de saúde no caso de alguma doença. O ideal é ficar atento a qualquer tipo de sintoma que possa aparecer e procurar rapidamente por um médico. “Quando mais cedo procurar um médico, melhor. Ele vai ajudar a identificar e tratar rápido da doença. A dica é: começou a tossir, a espirrar, ter dor de cabeça ou dores pelo corpo? Vá até uma unidade básica de saúde”, disse Iran Sadayoshi.
Clínico geral Iran Sadayoshi pede para a população ter atenção às mudanças muito rápidas do tempo, pois o corpo humano pode passar por choques térmicos e como consequência, ter a imunidade prejudicada. (Foto: Junio Matos)
Ele destaca que esse é o primeiro estágio do atendimento médico onde o paciente tem uma atenção maior do profissional de saúde e pode ser melhor tratado.
Alimente-se bem
A recomendação para todas as faixas etárias é se ter boa alimentação, hidratação e praticar exercícios físicos. O clínico geral, Iran Sadayoshi, pontou que a rede natural de proteção do corpo humano, o sistema imunológico, varia de acordo com a pessoa, mas ter refeições equilibradas, beber bastante água e ser ativo fisicamente melhora tanto a proteção contra doenças como a qualidade de vida de modo geral.
Primeiro semestre ainda será de baixa precipitação
Quanto ao clima, o período seco e quente deve perdurar durante alguns meses deste primeiro semestre do ano. As análises feitas pelo meteorologista indicam que a temporada de baixa precipitação (pouca condição para ocorrência de chuva) ainda é muito presente na região amazônica. 
Temperaturas elevadas e até com recordes seguidos foram registrados em 2023. (Foto: Junio Matos)“Nos últimos trinta dias o que a gente viu é uma condição de tempo seco. Em Manaus há chuva, mas no leste da região amazônica, por e exemplo, próximo ao norte do estado do Pará, os sinais são muito negativos. Está em condições extremamente seco, abaixo de 5% do que deveria estar na normalidade”, afirmou Renato Sena.
Mudanças estão previstas para o fim do segundo semestre deste ano, quando outro fenômeno pode ocorrer: o La Niña. Diferente do El Niño, ele favorece a ocorrência de chuvas para a região amazônica. Por outro lado, os impactos desse fenômeno não seriam instantâneos.








