Na série Chapadas Brasileiras, entenda de onde vem a fama e o que faz da Diamantina um dos principais destinos de ecoturismo do país.

Do alto do Morro do Pai Inácio, o tapete verde que cobre a Chapada Diamantina parece não ter fim. São tantos atrativos naturais que cobrem o Parque Nacional no interior da Bahia, que nem acima dos 1.150 metros de altitude do principal cartão-postal do lugar é possível ter a dimensão exata das belezas do destino. É um daqueles lugares que te faz repensar a vida inteira e se sentir parte de uma coisa maior, um só grãozinho na natureza.

Caminhar entre os paredões da cachoeira do Buracão, mergulhar nas águas transparentes da Pratinha, assistir ao espetáculo da luz no Poço Azul e desvendar o cênico trekking do Vale do Pati, são apenas alguns dos pontos imperdíveis no roteiro de um dos mais importantes destinos de ecoturismo do país. A lista é extensa, então prepare-se para entender por que a Chapada Diamantina faz jus à tamanha fama que carrega.

Na série Chapadas Brasileiras, o Metrópoles te apresenta os encantos dos mosaicos que emolduram paisagens rochosas em território verde-amarelo. Cada uma com suas particularidades, mas extremamente ricas em belezas naturais, as chapadas são imperdíveis para os amantes de ecoturismo e proporcionam uma experiência de conexão com a natureza singular.

A região, que ganhou nome pela abundância de diamantes, hoje é famosa por atrair turistas do mundo inteiro por sua natureza exuberante. O cardápio extenso de trilhas, belas cachoeiras de águas transparentes, grutas, cânios e formações raras, se estende por oito municípios e vilas: Lençóis, Mucugê, Andaraí, Ibicoara, Palmeiras, Rio de Contas, Igatu e Vale do Capão. A multiplicidade de cenários vale a pena conhecer, repetir a dose e, ainda assim, vai deixar saudades.

Como chegar

Lençóis é a principal cidade para quem quer visitar a Chapada Diamantina, e fica a aproximadamente 420 km de Salvador e 1.066 km de Brasília. O trajeto até o destino pode ser feito de avião — do aeroporto da capital baiana até o da cidade, chamado de Aeroporto Horácio de Matos —, porém, os voos são escassos e costumam pesar no bolso.

O esquema mais confortável e econômico é chegar até Salvador e alugar um carro ou pegar um ônibus, na rodoviária da capital. Veja as opções de companhias que chegam às diferentes cidades da Chapada aqui.

Se possível, dê preferência para o carro, uma vez que ter o próprio meio de transporte vai facilitar a sua vida e tornar mais confortáveis os traslados para cachoeiras e locais extraordinários na região.

Dicas de hospedagem

O cardápio de pontos imperdíveis no roteiro se estende entre as oito vilas e municípios que se instalaram por ali. Uma dica importante: antes de marcar a hospedagem, escolha os lugares que você mais quer conhecer — e estude como fazer as reservas nas cidades próximas. O planejamento vai evitar que você perca um tempo precioso na estrada.

Lençóis é a maior e mais famosa cidade, considerada por muitos até um ponto estratégico — e é uma bela parada para quem está indo de carro rumo à Salvador. O itinerário mais comum dos viajantes que chegam ao destino é aproveitar para conhecer as belezas dos arredores e, ao cair da noite, voltar para o centrinho da cidade, que abriga uma porção de restaurantes com mesinhas na calçada sob a luz do luar.

As hospedagens mais estruturadas da chapada ficam em Lençóis, como a Canto das Águas, a Estalagem do Alcino e o Hotel de Lençóis. Para pagar menos e ficar entre a natureza, a 15 minutos de caminhada do centro, uma ótima opção é a Canto no Bosque. Quem quiser uma opção mais em conta pode procurar a Solar Azul.

Melhor época para visitar

Para quem quer conhecer o destino plural em tipos de atrações, uma dica importante é fugir da época de chuvas. Prefira viajar entre os meses de abril e outubro. Fora desse período, a temperatura é mais amena e o roteiro de cachoeiras pode ser prejudicado, com trilhas escorregadias e um volume de águas significativo.

Para incluir no roteiro

Quem conhece a Chapada Diamantina sabe que nem um mês inteiro no destino seria suficiente para desbravar todos os seus encantos. É impossível se sentir entediado em meio ao cenário plural de paisagens grandiosas. No entanto, alguns pontos específicos roubam a cena na região. Caso você não tenha muito tempo, veja uma lista de lugares estratégicos e imperdíveis.

Para quem quer conhecer todas as belezas do local em segurança, o guia Sérgio Paulo, da Associação dos Condutores de Visitantes de Lençóis (ACVL), recomenda o acompanhamento de profissionais especializados.

“Existem pontos em que é fundamental estar acompanhado de alguém que conheça a região. A segurança do cliente está no guia, e não é raro que algum de nós precise ir resgatar um visitante que se perdeu pelo caminho”, aconselha.

Para montar seu roteiro, o guia de turismo fez uma lista das experiências que você não pode terminar a viagem sem viver:

Curtir a vista do Morro do Pai Inácio

Um dos principais cartões-postais do local, o Morro do Pai Inácio pode ser visto ainda da estrada com seus 1.150 m de altitude. A trilha é bem tranquila e tem até corrimão para subir as escadas naturais até o topo, onde é possível observar um dos mais bonitos entardeceres do país e ter uma vista privilegiada da Chapada.

Lá do alto, é possível enxergar um coração de pedra — uma visão que nem todos sabem que existe ou conseguem encontrar. É preciso descobrir o ângulo certo para encontrar o formato que se molda nas rochas.

Mergulhar nos cânions da cachoeira do Buracão

A cachoeira do Buracão tem uma das mais espetaculares vistas do Brasil, e a experiência é admirada até pelos acostumados com os encantos do turismo de natureza. O que torna o lugar tão especial começa pelo caminho: é preciso nadar por dentro de um cânion estreito para alcançar a queda d’água.

Somente ao final do trajeto, depois de nadar contra a correnteza e ser guiado pela sinfonia das águas caindo sobre a cachoeira, é que você verá o majestoso salão formado por grandes paredões rochosos onde está a queda de 85 metros de altura.

Conhecer o complexo arqueológico da Serra das Paridas e as terras quilombolas

Formado por 18 sítios arqueológicos, o complexo tem quatro áreas para visitação com paredes desenhadas por pinturas rupestres. Os registros milenares apresentam pessoas, animais e figuras geométricas curiosas, incluindo uma representação que lembra um extraterrestre e a pintura de uma mulher grávida de cócoras, que acredita-se que deu nome ao lugar.

Entre os antigos moradores, o atrativo é também chamado de Serra das Guaribas, e fica em Lençóis. O passeio pode ser feito após um mergulho na famosa cachoeira do Mosquito. Em Barra da Estiva, comunidades quilombolas seculares recebem turistas com suas histórias e tradições. O roteiro, partindo da sede por estrada de terra, passa por três vilas: do Camulengo, Ginete e Moitinha.

No Camulengo há opções de restaurantes com comidas típicas, como o godó de banana, galinha caipira e cachaças locais. A comunidade também é porta de entrada para o sítio de arte rupestre do Camulengo.

Nadar em todas as cachoeiras que puder

Se o seu negócio é mergulhar em cachoeiras, saiba que a Chapada Diamantina foi feita para você. São mais de 360 quedas d’água catalogadas no parque nacional, e não faltam opções para se refrescar após uma bela trilha em meio ao verde do local.

A mais famosa é a cachoeira da Fumaça, que tem dois tipos de trajeto. Por cima, são 12 km (ida e volta) que levam ao topo da cachoeira. O percurso exige um pouquinho de fôlego, já que os primeiros 2 km são uma boa subida. A visita por baixo é para os mais aventureiros. Com grau de dificuldade alto, o percurso de 36 km (ida e volta e com acampamento), leva aos pés da queda d’água.

Além da maior das cachoeiras, vale a pena incluir no roteiro a Cachoeira do Mosquito, Cachoeira do Sossego, Ribeirão do Meio, a Cachoeira do Poço do Diabo e, com um pouco mais de tempo, um passeio até o Roncador, próximas à região de Lençóis.

Para quem está no Vale do Capão, boas pedidas são a Cachoeira do Riachinho, Cachoeira da Angélica e Cachoeira da Purificação. Pertinho de Andaraí, a Cachoeira do Ramalho também pode ser uma boa pedida.

Ver o espetáculo no Poço Azul e no Poço Encantado

Dentro das grutas que abrigam os Poços Azul e Encantado, em Itaetê e Nova Redenção, pequenas frestas dão espaço para a luz do sol entrar, em um espetáculo estonteante. A visão só pode ser contemplada entre abril e setembro e em horas específicas (às 10h e às 13h30), no Poço Encantado e de fevereiro a outubro, entre 12h30 e 14h, no Poço Azul.

Por isso é tão importante se programar e conversar com o guia. Além do espetáculo, o azul das águas reflete as paredes das grutas, em uma experiência única que deve ser contemplada de dentro da água apenas no Poço Azul.

Fazer o circuito do Vale do Pati

Com a fama de ser um dos mais cênicos trekkings do país, o circuito faz jus à majestade. O Pati é um pedacinho quase intocado da Chapada Diamantina, onde não chegam carros, não há luz elétrica ou sinal de celular. A experiência de imersão deve ser vivida em sua plenitude, e não tem um tempo certo — tudo é acordado entre o guia e os visitantes. Porém, o mais comum é cumprir o percurso em três dias.

Entre as belezas naturais e cachoeiras que se apresentam na rota, não é necessário levar barracas ou sacos de dormir: a hospedagem fica por conta dos carinhosos nativos, que recebem os visitantes com uma cama limpinha, um belo banho, uma refeição quentinha e típica do lugar e muita história para contar.

Conhecer a riqueza histórica das cidades

Caminhar pelas charmosas ruas de pedra de Lençóis transmite as sensações de uma viagem no tempo. Avenidas e ladeiras entrecortadas por becos, com suas edificações seculares e multicoloridas, conservam uma arquitetura que revela a memória do garimpo na região das Lavras Diamantinas.

Além da “capital” da Chapada, outros pequenos municípios como o Vale do Capão, que oferece um contato com a natureza e também o lado mais esotérico da Chapada e Igatu — uma verdadeira volta no tempo — são ótimas pedidas.

Fonte: Metrópoles