Na contramão das dietas restritivas, o nutriente é fundamental para o funcionamento adequado do organismo e traz benefícios à saúde.

Eles estão nos cereais do café da manhã, no arroz integral do almoço, no pãozinho do café da tarde e até na cerveja com os amigos. Principal fonte de energia do organismo, os carboidratos são os nutrientes mais abundantes do planeta. Contudo, também carregam um título controverso: o de símbolos da má alimentação e do ganho de peso.

Com o crescimento das dietas low carb e da preferência por proteínas quando o assunto é emagrecimento, há quem tenha levado a relação com o nutriente a níveis excessivos, e se recuse a consumir um mísero grão de arroz integral, colocando o carboidrato no posto de vilão da dieta.

“Se o açúcar produz radicais livres, a insulina inflama, o glúten me oxida, se carboidratos modificam meus neurotransmissores e meu humor, por que me aproximaria deles? E mais, por que deixaria eles participarem da minha vida? Esses são os pensamentos que norteiam quem sofre de carbofobia”, descreveu a médica PhD em endocrinologia Isabela Bussade em sua coluna na revista Vogue.

O termo é usado para designar o medo exagerado ou aversão ao carboidrato, principal fonte energética da alimentação humana, e caracteriza uma forma de se alimentar distorcida, que prioriza a todo custo a retirada dos alimentos que contém o grupo nutricional na dieta. Grãos, cereais, farináceos, algumas frutas e tudo que leva açúcar saem de cena. Nem o pão do café da manhã e o arroz com feijão do almoço ficam ilesos.
Embora não caracterize um diagnóstico de transtorno alimentar clássico como anorexia, bulimia ou compulsão alimentar, a carbofobia se associa a sintomas obsessivos e ansiosos ligados à alimentação, medo infundado sobre mecanismos de ganho de peso e estresse psicossocial, de acordo com a profissional.

“Um carbofóbico no Brasil comeria dois ovos no café, salada verde no almoço, castanhas e queijos ao longo do dia e um grelhado no jantar. Teria repudio por pães, receio por batatas, sobressaltos com uma pizza e consideraria impossível beber uma cerveja com os amigos”, ilustrou a endocrinologista.

Do outro lado da balança

É verdade que consumidos em excesso, os carboidratos podem causar inflamações, aumentam o risco de obesidade e, consequentemente, o risco de doenças cardiovasculares. Mas, ainda assim, são uma fonte de energia fundamental para o organismo.

Mais do que fornecer o combustível para as funções básicas, incluindo respiração e a circulação do sangue, eles também estimulam os movimentos do trato gastrointestinal, por exemplo. Esse mecanismo inclui todo o processo de nutrição, que começa na mastigação e termina na eliminação de resíduos. O nutriente também é necessário para o funcionamento do sistema nervoso central, e até para a sintetização de proteínas.

Como diz a máxima popular, o que diferencia o remédio do veneno é a dose. No caso desse macronutriente, também faz diferença a composição. “Existem diferentes tipos de carboidrato – o pão e o alface são, por exemplo. A diferença está na quantidade de fibra, complexidade da molécula, tempo de digestão…”, comenta a nutricionista Luiza Midlej, da clínica Sanus Vitae, em Brasília.
Os alimentos ricos em carboidratos são pães, cereais, arroz, tubérculos e todas as massas. No entanto, legumes e vegetais também têm o nutriente, bem como doces. “Se, por um lado, a alimentação saudável nos traz a possibilidade de viver mais tempo e melhor, por outro, inunda nosso dia a dia com termos como jejum intermitente, cetose, dietas lowfat, lowcarb e muitas vezes nos confunde, tornando o ato de se alimentar uma preocupação desmedida, intensa e algumas vezes patológica”, pondera Bussade também à coluna.

Longe das dietas restritivas, um corpo saudável (e em forma), depende de uma rotina balanceada, que inclui todos os grupos nutricionais, uma rotina ativa de atividades físicas, qualidade do sono e equilíbrio em termos de saúde mental.

Fonte: Metrópoles