Presidente da Abiquifi, Norberto Prestes, explica os impactos do baixo índice para o desenvolvimento econômico, tecnológico e científico do país.

Enquanto China e Índia, juntas, são responsáveis por 40% dos insumos usados no mundo inteiro para a fabricação de remédios, o Brasil produz apenas 5% dessas matérias-primas para consumo interno. Não à toa os remédios do chamado kit intubação estão em falta em hospitais de diversos estados brasileiros. As consequências, porém, vão além do risco de escassez de produtos, como explica o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos, Norberto Prestes. “Quando a gente fala dos 5%, não é só questão do desabastecimento, é tudo que você perde na cadeia. É qualidade do medicamento, desenvolvimento econômico, desenvolvimento tecnológico, científico, empregabilidade.”

Mas a situação nem sempre foi assim. Nos anos 80, a indústria nacional atingiu o ápice e fabricava 55% dos insumos que utilizava. No entanto, com a abertura comercial promovida pelo então presidente Fernando Collor, a importação de medicamentos passou a ser mais vantajosa do que a fabricação deles, o que desestimulou a produção local. Por isso, Norberto Prestes defende a criação de uma nova política industrial. “Nós precisamos fazer uma política da Estado. Precisamos pensar nesse setor para 10 anos, minimamente. A pandemia deixou um alerta que não vai mais dar para recuar e ficar mudando. Se a gente conseguir agora, todo governo que entrar vai ter que colocar mais recursos dali para frente.”

Embora não estejam sofrendo com o desabastecimento de remédios, as farmácias também são muito procuradas pelos consumidores, inclusive por aqueles que estão saudáveis. Sempre que um medicamento está em evidência no possível tratamento ou prevenção da Covid-19, eles correm para os estabelecimentos em busca dos produtos, como explica Gilson Veigas, gestor de uma rede de farmácias. “Os farmacêuticos dão essa instrução, quando notamos que o cliente está vindo comprar sem necessidade, a gente presta toda informação necessária. Mas as pessoas não se importam, elas comprar mesmo”, disse. Diante da alta demanda, alguns desses remédios passaram a demandar prescrição médica para serem vendidos. O objetivo era não apenas evitar efeitos colaterais, já que não havia estudos científicos sobre o uso deles contra o coronavírus, assim como impedir que houvesse um desabastecimento nas farmácias.

Fonte: JP NOTICIAS