Funcionando já há um mês, Comissão de Transparência das Eleições tem participação da sociedade civil e garante que processo eleitoral é seguro.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse, na última sexta-feira, 08, que vai acompanhar de perto a disputa eleitoral do próximo ano. “O ano que vem tem eleições. Vamos renovar. Prestigiar quem fez um bom trabalho e renovar.  Pode ter certeza que não vai ter sacanagem nas eleições, não. Convidaram as Forças Armadas, nós aceitamos, e vamos participar de todo o processo eleitoral. Vamos acabar com a suspeição. Tudo quase que eu faço passa pelo parlamento”, disse. Bolsonaro voltou a dizer ainda que o Brasil foi salvo a beira do socialismo quando ele foi eleito em 2018 e deu a entender que esse processo poderia voltar caso ele deixe o poder. “Vencemos.
Estamos com liberdade. Nós devemos preservá-la. Eu jogo dentro das quatro linhas. Alguns querem que saia fora delas, apesar de outros estarem jogando fora delas. Mas se eu sair fora, a gente já sabe como pode se transformar o Brasil”, comentou.

Neste sábado, 09, a Comissão de Transparência das Eleições, criada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), completa um mês de funcionamento. Anunciada em meio a um cenário de desconfiança no que tange a segurança das urnas eletrônicas brasileiras, o grupo foi instituído justamente com o objetivo de ampliar a lisura em todas as etapas de preparação e realização do processo eleitoral. Integrante da comissão, a coordenadora geral da transparência eleitoral Brasil, Ana Claudia Santana, considera positivo o trabalho feito até aqui. “A comissão é marcada pelo diálogo. Nós que representamos a sociedade civil, para a gente é uma abertura institucional muito importante, nesse esforço por maior transparência no processo eleitoral como um todo. Nesta semana, nós fizemos a segunda reunião, desta vez presencial, em Brasília, junto com abertura dos ciclos democráticos de 2022 e também com a abertura dos códigos fonte das urnas eletrônicas. Nessa reunião a gente pode dialogar sobre um plano de ação específico, elaborado pelo TSE, e que está sendo avaliado por todos os membros da comissão”.

Ana Claudia garante que as eleições são seguras e diz que a transparência sempre existiu, mas que o grande desafio entretanto é levar a informação para a população e combater as fake news em torno do processo eleitoral. Ela criticou ainda o discurso de atores político que alegam serem alvo de fraude nas urnas eletrônicas sem provas concretas. “Ela é muito temerária, isso porque a utilização política desse discurso vai muito além do que efetivamente uma colaboração que a gente possa ter para melhoria dos procedimentos já existentes. A gente entende que a utilização política desse discurso leva a uma deslegitimação do sistema. A partir do momento que se planta uma sementinha do descredito no sistema eletrônico de votação, se manda uma mensagem indireta de que não dá para acreditar no resultado da urna. E isso é muito complicado, principalmente em um tempo tão polarizado como o de agora”, explicou. Ainda segundo a coordenadora, é importante que a população participe de todo o processo eleitoral.

Fonte: JP Notícias