Deputado deletou publicação no X que mostrava aumento de renda na gestão do ex-presidente
Após o deputado federal e pré-candidato à prefeitura de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL) deletar uma publicação com dados que mostram crescimento de renda da população entre 2017 e 2022, nas gestões de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL), o último ex-presidente resolveu fazer uma provocação em seu Instagram. A intenção de Boulos era criticar a concentração de renda da população mais rica, mas acabou divulgando que a receita dos mais pobres também teve aumento.
“Agradeço ao Bolos pela sinceridade de expor que a distribuição de renda avançou durante nossa gestão mesmo que não tenha sido essa sua intenção e tenha apagado a postagem logo em seguida”, escreveu Bolsonaro, ironicamente e com erro na grafia do parlamentar.

O post deletado por Boulos citava uma nota técnica divulgada pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quarta-feira. O levantamento aponta que a concentração de renda cresceu, já que a receita dos super-ricos, que representam 0,01% da população brasileira, teve um aumento quase três vezes maior do que 95% dos brasileiros no período.
Parlamentares bolsonaristas, como a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e o vereador de São Paulo Rubinho Nunes (União), também criticaram o deputado por ter apagado o post.
Entenda os resultados da FGV
O levantamento publicado no Observatório de Política Fiscal da FGV concluiu que a concentração de renda no Brasil aumentou. O estudo mostra que os 5% mais ricos detinham 39,9% da renda nacional em 2022, acima dos 36,5% de 2017. No momento em que o governo precisa apresentar a reforma tributária dos impostos diretos como os de renda, esses dados indicam que os mais ricos pagam uma alíquota bem menor que a classe média.
“Enquanto a maioria da população adulta teve um crescimento nominal médio de 33% em sua renda no período de cinco anos, marcado pela pandemia, a variação registrada pelos mais ricos foi de 51%, 67% e 87% nos estratos mais seletos, (entre 5%, 1% e 0,1% mais ricos). Entre os 15 mil milionários que compõe o 0,01% mais rico, o crescimento foi ainda maior: 96%”, diz o levantamento.
Segundo o estudo do pesquisador Sergio Gobetti, para estar entre o 0,1% mais ricos “é necessário ter uma renda de pelo menos R$ 140 mil mensais. Já para pertencer ao 1% mais rico, basta ter renda superior a R$ 30 mil. E a porta de entrada para os 5% mais ricos são os R$ 10 mil mensais, o que inclui na prática grande parte da nossa classe média”.







