Apesar de não ter citado nomes, presidente tem histórico de ataques ao sistema de votação brasileiro e a ministros do TSE.

BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira que “não serão dois ou três que decidirão como serão contados” os votos das eleições. Apesar de não ter citado nomes, Bolsonaro já levantou suspeitas infundadas contra o sistema de votação brasileiro e costuma criticar a atuação de dois ministros e um ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

— Podem ter certeza que, por ocasião das eleições, os votos serão contados no Brasil. Não serão dois ou três que decidirão como serão contados esses votos. Nós defendemos a democracia, nós defendemos a liberdade e tudo nós faremos, até com o sacrifício da própria vida, para que estes direitos sejam de fato relevantes e cumpridos em nosso país — disse Bolsonaro, durante evento em Parnamirim (RN).

Bolsonaro costuma atacar o presidente e o vice-presidente do TSE, ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes, além do ex-presidente da Corte Luís Roberto Barroso, que deixou o tribunal no início do ano.

As falsas alegações de Bolsonaro sobre urnas eletrônicas já o tornaram alvo de dois inquéritos , sendo um no TSE e outro no Supremo Tribunal Federal (STF).

No ano passado, o presidente passou semanas colocando em dúvida a segurança das urnas eletrônicas. O ápice ocorreu em uma transmissão ao vivo , realizada em julho, na qual ele prometeu apresentar provas de fraudes. Entretanto, ele admitiu que tinha “indícios” e “suspeitas”, a maioria deles baseados em vídeos antigos já desmentidos pelo TSE.
Bolsonaro usava as alegações para defender a adoção de um sistema de impressão de um comprovante do voto. Um projeto com esse teor, no entanto, foi rejeitado pela Câmara .

O presidente passou a moderar seu discurso após o 7 de Setembro. Depois de ameaçar não cumprir decisões de Alexandre de Moraes, Bolsonaro divulgou uma nota dizendo que as declarações ocorreram “no calor do momento” .

O discurso em relação às urnas também foi suavizado, e o presidente passou a dizer que se sente mais seguro a respeito da lisura do modelo eleitoral com a participação das Forças Armadas no processo de auditoria das urnas. Isso, porém, já acontecia desde 2020, antes de Bolsonaro acusar, sem provas, de que o pleito poderia ser fraudado. O presidente, entretanto, mantém ataques esporádicos ao sistema eleitoral.
No evento desta quarta, Bolsonaro também voltou a repetir que a disputa na eleição deste ano será “bem contra o mal”, e não entre esquerda e direita. Ele já havia dito isso durante evento de lançamento da sua pré-candidatura , no domingo.

— Cada vez mais a população quem está do lado do bem e quem está do lado do mal. A luta não é da esquerda contra a direita, mas é do bem contra o mal. E o bem sempre venceu. E dessa vez não será diferente, o bem vencerá. O bem está ao lado da maioria da população brasileira.

Fonte: O Globo