Depoentes deram detalhes sobre o incêndio e citaram barreira de seguranças que dificultou a saída do local; julgamento segue nesta sexta-feira, 3, e tem previsão de durar dez dias.

O segundo dia de julgamento dos réus do incêndio da Boate Kiss foi novamente marcado pela emoção. No primeiro depoimento, o sobrevivente Manuel Almeida, atualmente engenheiro de segurança, contou que ficou hospitalizado por inalar fumaça e viu muita gente morrer ao seu lado. No segundo depoimento, a também sobrevivente Jéssica Montardo Rosado chorou ao contar que perdeu o irmão na festa após vê-lo salvar várias pessoas. “Quando a gente tem uma educação de ajudar o próximo, a gente tenta ao máximo e jamais me perdoaria voltar pra casa sem ele, como eu voltei. Assim como eu acredito que ele jamais olharia para o meu pai se dissesse que eu tinha ficado lá dentro. E foi por essas imensas vezes que ele voltou para me buscar. Queria ter feito mais, mas não tive forças”, afirmou.

A sobrevivente também afirmou que fraturou uma costela na saída da boate e relatou que havia um contenção feita por seguranças e grades, o que prejudicou a saída das pessoas. No terceiro e mais esclarecedor depoimento do dia, o engenheiro Miguel Ângelo Teixeira Pedroso disse que nunca recomendou a espuma acústica para a boate. “O que aconteceu é incontestável. A espuma que estava ali é incontestável, ela pegou fogo imediatamente. [Se não tivesse fogo dentro da boate, teria ela como pegar fogo sozinha?] Sozinha não”, reforçou. A prefeitura de Porto Alegre montou uma barraca, junto com o Exército, para atender às famílias das vítimas e os sobreviventes que não conseguiram entrar no auditório. O julgamento segue nesta sexta-feira, 3, com início às 9 horas. Pelo andamento, vai se confirmando a estimativa que o júri deve durar, no mínimo, dez dias.

Fonte: JP Notícias