Especialista projeta que a crise hídrica e elevação da energia elétrica ainda serão responsáveis por novas altas da inflação; mês de julho fechou com a maior IPCA dos últimos 19 anos.

Na padaria, supermercados e demais estabelecimentos comerciais não se fala em outra coisa: o aumento dos preços. O mês de julho fechou com a maior variação Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) dos últimos 19 anos: 0,96%, com aumento puxado pela alta dos alimentos e da energia elétrica. No entanto, na visão do empresário Bruno Jacob, proprietário de uma hamburgueria, não é de hoje que a inflação dificulta os negócios. “Esse ano infelizmente não teve jeito, já foram dois repasses de preços. No primeiro, a gente aumentou em cerca de 10%, porém não surtiu efeito, porque as coisas continuam aumentando. Na segunda vez, para não repassar tudo para os clientes, a gente acabou aumentando só nas plataformas de delivery”, afirma. A inflação em alta diminui o poder de compra dos brasileiros, mas também traz outros efeitos colaterais. Segundo especialistas, o crédito deve ficar mais caro, ou seja, com maiores taxas de juros. Até mesmo as previsões de crescimento econômico podem ser afetadas.

O economista Alessandro Azzoni observa ainda que o atual governo tem um comportamento de não interferir na economia, de forma que as projeções para os próximos meses não são boas para o consumidor. “O governo liberal não vai fazer esse tipo de intervenção e não acredito que o fará. Ele vai criar situações, melhorando a questão de importação de grãos ou alimentos para questões de abastecimento interno, mas não vejo essa interferência do governo. Com isso, vai projetar cada vez mais a questão do índice inflacionário”, afirma. Quanto ao teto da inflação estipulado pelo Ministério da Economia em 5,25%, Alessandro afirma que é possível que seja ultrapassado. Segundo ele, embora não seja possível dizer até onde a inflação pode chegar, a questão da crise hídrica e do custo da energia elétrica ainda serão responsáveis pela subida do índice, especialmente em um momento de demanda de energia em plena retomada da indústria e do comércio.

Fonte: JP Notícias