Ao todo, 19 países suspenderam o uso da vacina Oxford/AstraZeneca contra a covid-19.

A uso da vacina Oxford/AstraZeneca contra o coronavírus está em cheque na Europa. Na última segunda-feira (15), Alemanha, Itália e França anunciaram que suspenderiam o uso do imunizante após detecção de efeitos colaterais graves. No total, 19 países já tomaram a mesma decisão.

Ao mesmo tempo, a Coronavac, produzida pelo laboratório chinês Sinovac, tem ganhado espaço na América do Sul.

O primeiro acordo feito pelo governo Bolsonaro foi de compra e importação de tecnologia da vacina Oxford/AstraZeneca. A Fiocruz está produzindo o imunizante, mas o contingente ainda é insuficiente. A promessa é que, quando houver pleno funcionamento, a instituição será capaz de entregar um milhão de doses por dia. A entrega das primeiras vacinas produzidas no Brasil foi feita na segunda-feira (15).

Após recuos e retaliações à Coronavac, o governo brasileiro assinou um acordo para receber 100 milhões de doses da vacina produzida pelo Instituto Butantan até 30 de agosto. No momento, o Ministério da Saúde já receber 22 milhões de doses do imunizante para abastecer o Plano Nacional de Imunização. Até o momento, a Coronavac é a vacina mais usada no Brasil.

Tanto a Fiocruz quanto o Instituto Butantan ainda dependem da chegada do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), importado do exterior, para a produção da vacina.

Além do Brasil, o Chile também está usando a Coronavac para vacinação massiva da população.

Uso da Coronavac no Chile

Na quarta-feira (17), o Chile anunciou os resultados da fase 3 dos testes da Coronavac. Segundo a Pontifícia Universidad Católica, depois de duas semanas da segunda dose, 90% dos vacinados apresentam anticorpos contra a covid-19.

No país, a vacina da Sinovac está sendo usada para a vacinação em massa da população. O Chile recebeu cerca de 10 milhões de doses da Coronavac e perto de 1 um milhão de vacinas da Pfizer/BioNTech. Até agora, 5,2 milhões de pessoas receberam uma dose da vacina e outras 2,5 milhões já receberam as duas doses.

Após uma dose da Coronavac, o índice de pessoas com anticorpos ficou em 50%. No país, 2.300 mil pessoas participaram dos estudos clínicos da vacina. Os testes foram feitos com profissionais da saúde e também com a população geral.

No entanto, o reitor da PUC-Chile, Ignacio Sánchez, afirmou que mesmo imunizadas, as pessoas podem transmitir o coronavírus para outras pessoas. Por isso, alerta, é preciso seguir cumprindo as medidas de segurança.

“Temos a boa notícia de que cerca de 30% da nossa população alvo se vacinou, mas temos que manter o rigor e seguir as indicações das autoridades sanitárias”, disse Sánchez à CNN Chile.

Sobre os efeitos adversos da Coronavac, o especialista afirmou que menos de 5% dos participantes tiveram febre após tomarem a vacina e menos de 5% tiveram reação no local da aplicação. Segundo Sánchez, os mais velhos tiveram menos efeitos adversos que os mais jovens. “Até agora, tem sido uma vacina muito bem tolerada.

Testes da Coronavac no Brasil

No Brasil, onde os testes foram feitos apenas com profissionais da saúde, a vacina atingiu uma eficácia geral de 50,38%. O patamar atingido está acima dos 50% mínimo determinado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para aprovação em caráter emergencial.

Ao todo, foram registradas 85 infecções no grupo de 4.653 voluntários vacinados, e 167 casos confirmados nos 4.599 voluntários que tomaram um placebo.

O índice de 50,38% de eficácia mostra uma diferença em relação ao grupo de controle, ou seja, que recebeu o placebo. Entre os voluntários que não receberam a vacina, 3,6% contraíram a covid-19. Entre os voluntários que tomaram a CoronaVac, 1,8% contraíram a covid-19.

Resumidamente: quem toma a vacina tem metade da possibilidade de contrair o coronavírus em comparação a quem não é imunizado.

E onde entram os 78%, anunciados inicialmente pelo Instituto Butantan? O índice diz respeito à necessidade de atendimento de pessoas que receberam a vacina. Entre os voluntários que tomaram a CoronaVac, apenas 22% tiveram de receber algum tipo de atendimento médico após contraírem a covid-19. O que quer dizer que, quem tomar a vacina do Butantan até pode desenvolver a doença, mas tem menos chance de precisar ir ao hospital ou consultar um médico.

Os 100% dizem respeito aos casos graves, que precisam ser internados e ir para uma UTI. Entre os voluntários que tomaram a CoronaVac, nenhum teve complicações mais sérias, que precisariam de maiores atendimentos.

Dessa forma, quem tomar a vacina tem 50,38% de chance de não desenvolver a covid-19, 78% de chance de não precisar sequer de atendimento médico. Além disso, quem se vacinar, não tem nenhuma possibilidade de ser internado ou entubado por complicações da covid-19.

Efeitos colaterais da vacina Oxford/AstraZeneca

Na segunda-feira (15), Alemanha, Itália e França comunicaram que suspenderam o uso da vacina Oxford/AstraZeneca contra o coronavírus. A decisão foi motivada por possíveis efeitos colaterais graves.

As suspensões começaram após casos de morte por trombose na Dinamarca e na Áustria, e se ampliaram apesar de recomendações contrárias tanto da OMS (Organização Mundial da Saúde) quanto da EMA (agência regulatória europeia).

A Organização Mundial da Saúde nega que haja ligação comprovada entre os efeitos adversos e aplicação da vacina. Por isso, as pessoas não devem entrar em pânico.

Na terça-feira (16), a presidente da Fiocruz, que produz a vacina de Oxford no Brasil, minimizou a decisão dos países europeus. Para ela, houve cautela, mas é preciso observar os efeitos.

“É importantíssimo dizer que faz parte da cautela essa avaliação de todas as vacinas. Nós na Fiocruz temos ampla experiência com esse tipo de farmacovigilância e frisamos que tanto a agencia europeia EMA quanto a Organização Mundial da Saúde não recomendaram a interrupção da vacinação”, afirmou durante reunião virtual da comissão externa da Câmara que acompanha as medidas de enfrentamento da Covid-19.

Confira 25 perguntas e respostas sobre a CoronaVac:

1- Posso tomar vacina se já tive COVID-19?

SIM. Desde que o início dos sintomas tenha ocorrido há pelo menos 4 semanas. Para quem não teve sintomas, 4 semanas a partir da primeira PCR positiva;

2 – Posso tomar vacina se estiver grávida?

NÃO. A princípio, a recomendação do Butantan, é não realizar a imunização em grávidas devido à falta de estudos clínicos. A recomendação é procurar a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia;

3 – Posso tomar vacina se estiver amamentando ou pretendendo engravidar?

SIM. Entretanto, ainda não há estudos conclusivos;

4 – Posso tomar vacina se participei de um estudo de vacina contra Covid-19?

NÃO. Espere ser chamado pelo instituto organizador do estudo;

5 – Posso tomar vacina se vivo com HIV?

SIM;

6 – Posso tomar vacina se tenho asma, DPOC, cirrose, diabetes, pressão alta, cardiopatia ou epilepsia?

SIM;

7 – Posso tomar vacina se tenho tatuagem?

SIM;

8 – Posso tomar vacina se tratei um câncer / estou em tratamento de um câncer?

SIM;

9 – Posso tomar vacina se tenho alergia a outras vacinas?

SIM, desde que a alergia não seja a qualquer um dos componentes da vacina (hidróxido de alumínio, hidrogenofosfato dissódico, di-hidrogenofosfato de sódio, cloreto de sódio, e hidróxido de sódio);

10 – Posso tomar vacina se tenho alergia a ovo?

SIM;

11 – Posso tomar vacina se estou com febre acima dos 37,5 ºC ou tive febre acima dos 37,5 ºC nas últimas 24 horas?

NÃO;

12 – Posso tomar vacina se tive febre há mais de 24 horas?

SIM;

13 – Posso tomar vacina se tomo corticoide

SIM;

14 – Posso tomar vacina se tomo medicamento imunossupressor?

SIM;

15 – Posso tomar vacina se tomo imunobiológico? (medicamento para cuidados das doenças autoimunes)

SIM;

16 – Posso tomar vacina se sou transplantado/a?

SIM;

17 – Posso tomar vacina se tomei outra vacina contra Covid-19?

NÃO;

18 – Posso tomar vacina se tomei vacina contra outras doenças?

SIM;

19 – Posso tomar vacina se tenho uma pessoa imunossuprimida/doente em casa ou próxima?

SIM;

20 – Posso tomar vacina se sou idoso/a?

SIM;

21- Posso tomar vacina se tenho uma doença autoimune?

SIM;

22 – Posso tomar vacina se tomo imunoglobulina?

SIM;

23 – Posso tomar vacina se tenho silicone no local de injeção

SIM. No entanto, escolha outro local de aplicação;

24 – Posso tomar vacina se estou tomando antibiótico?

SIM;

25 – Fiquei com dor intensa no local da vacina. O que posso fazer?

Colocar compressa fria no local e tomar analgésico.

Todas essas diretrizes e questões constam em um documento com orientação para os médicos infectologistas elaborado pelo Hospital das Clínicas da FMUSP – Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), e endossadas pela SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia).

Fonte: Yahoo Noticias