A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que o faturamento com a data comemorativa crescerá 13,9%.

As restrições para abertura das lojas no país estão cada vez mais flexíveis com o avanço da vacinação contra a pandemia da Covid-19. Com isso, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que o volume de vendas para o Dia dos Pais deste ano atingirá R$ 6,03 bilhões. Caso isso ocorra, será maior faturamento para a data desde 2018, com alta de 13,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo o presidente da CNC, José Roberto Tadros, o Dia dos Pais de 2020 foi o pior em 13 anos.

Na época, as vendas recuaram 11,3% e geraram o menor volume financeiro (R$ 5,30 bilhões) desde 2007, quando o montante foi de R$ 4,98 bilhões. O Dia dos Pais é a quarta data comemorativa mais importante do varejo brasileiro.

“A desaceleração da Covid-19 a partir de abril devolveu parte do fluxo de consumidores perdido ao longo de toda a crise sanitária. Embora a circulação de consumidores no comércio ainda não tenha se normalizado, especialmente nos shopping centers, a movimentação de clientes vem aumentando desde o arrefecimento da segunda onda”, afirma Tadros.

De acordo com um monitoramento realizado pelo Google Mobility, entre o fim de abril e o fim de julho, o fluxo de consumidores em áreas comerciais cresceu 39%, mas ainda se encontra 9% abaixo da circulação média de clientes verificada em fevereiro do ano passado, quando a pandemia ainda não havia se alastrado pelo país.

Neste cenário, os pais deram mais sorte que as mães.  Segundo um levantamento da Dito, empresa de CRM para o mercado omnichannel, em maio, no Dia das Mães, foram realizadas 3,7 milhões de compras, mais que o dobro das 1,5 milhão de aquisições do mesmo período do ano passado. Essa movimentação gerou R$ 2,5 bilhões em receita, ante R$ 668 milhões do ano anterior. Mesmo assim, o montante ainda é menor do que o esperado pelo varejo para o Dia dos Pais.

Em comparação com o Dia dos Namorados, a data também é vencedora. Os casais apaixonados renderam um faturamento de cerca de R$ 1,8 bilhão para o comércio nacional. Enquanto a Páscoa, a quinta data comemorativa mais importante do ano para o varejo, registrou o menor volume de vendas desde 2008 e levantou cerca de R$ 1,62 bilhão em 2021, aponta a CNC.

Outro recente estudo feito pelo Google, com 800 entrevistados, mostra que mais de 60% das pessoas devem fazer compras pela internet para o Dia dos Pais. A data comemorativa conquistou o quinto lugar em faturamento no e-commerce em 2020, movimentando R$ 3,5 bilhões em vendas on-line.
Para este ano, a projeção da Synapcom, empresa líder em full commerce, é ainda mais positiva. São esperados cerca de 63 mil pedidos divididos entre mais de 130 mil itens. Um aumento em 241% das vendas gerais em relação a 2020.

Dentre os segmentos com maior projeção de crescimento estão: “Home&Tech”, com alta de 308% e “Beleza e Saúde”, com 57%. Já o mercado de “Moda” espera um crescimento de 15%.

A OLX Brasil, uma das mais conhecidas plataformas de compra e venda on-line em imóveis, autos, serviços e bens de consumo, confirma as expectativas. A empresa afirma que houve crescimento de 300% nas vendas e 212% de aumento em busca de itens com o termo Dia dos Pais, comparando a primeira com a segunda quinzena de julho deste ano.

“O mercado de usados e semi-novos passa a ter uma relevância maior também nas datas tradicionais do varejo. Os dados de buscas e vendas na plataforma refletem os novos hábitos de consumo dos brasileiros, que passam a enxergar os benefícios, econômicos e sociais, do mercado de segunda mão”, diz o CEO da OLX Brasil, Andries Oudshoorn.

Inflação
O alto interesse por opções mais baratas pode ser explicado pela inflação, que afeta cada vez mais o bolso das famílias brasileiras. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC/FGV) indicou que os presentes e os serviços mais procurados para o Dia dos Pais subiram em média 6,08%, nos últimos 12 meses. O percentual ficou abaixo da inflação apurada para o mesmo período, que foi de 8,31%.

A pesquisa também mostrou que a inflação dos serviços subiu 9,06%, sendo a alta puxada pelas passagens aéreas, cujos preços avançaram 52,12%, refletindo a retomada do setor, que há 12 meses estava afundada na crise sanitária.

Também na cesta de serviços, restaurantes (4,76%), hotéis (0,91%) e excursões e tours (0,42%) sofreram aumentos, mas abaixo da inflação geral, ensaiando a retomada da demanda nestes setores.
O pesquisador do FGV/IBRE Matheus Peçanha avalia que o processo de reabertura e os custos tiveram um papel concorrente nessa dinâmica. “Essa mesma cesta de serviços refletia o cenário de total ausência de demanda há alguns meses, e agora, com exceção do setor cultural, já demonstra um reaquecimento da demanda com o retorno gradativo da atividade”, afirma.

“No caso das passagens aéreas e restaurantes, os custos auxiliaram na pressão inflacionária: o setor de aviação é muito dolarizado, de modo que a escalada do câmbio e o aumento do petróleo no segundo semestre do último ano provocou uma elevação no preço do QAV, já os restaurantes sofreram com o preço dos alimentos no mesmo período”, completa o especialista.

Regionalmente, São Paulo (R$ 2,15 bilhões), Rio de Janeiro (R$ 632,1 milhões) e Minas Gerais (R$ 629,3 milhões) tendem a responder pela maior parte (56,6%) da movimentação financeira com a data neste ano. “Todas as unidades da Federação deverão acusar avanços reais ante os montantes do ano passado, com destaque para as taxas esperadas em relação ao Paraná (+15,0%), Rio Grande do Sul (+14,4%), Distrito Federal (+14,3%) e Santa Catarina (+12,5%)”, aponta a CNC.

Fonte: Metrópoles