Manaus | 4 de setembro de 2026 | 14:24:13

Responsáveis por alterações em BMW onde quatro jovens morreram por intoxicação podem responder por homicídio culposo

A BMW onde os quatro jovens morreram asfixiados por monóxido de carbono na manhã de 1º de janeiro em Balneário Camboriú, no Litoral Norte, passou por ao menos quatro customizações, que levaram ao rompimento de uma peça ligada à tubulação de gás. Segundo a investigação, as alterações foram feitas para conferir maior potência e ruído ao automóvel. Os responsáveis pelo serviço podem responder, ao fim das investigações, por homicídio culposo — quando não há a intenção de matar.

Um dos equipamentos colocados no motor do veículo era “de certa forma caseiro”, segundo o delegado Vicente Soares. O caso segue sendo investigado e os responsáveis pelas mudanças no veículo serão ouvidos.

Rompimento de tubulação

Nas imagens divulgadas, a polícia apresentou o assoalho de dois automóveis do modelo BMW, sendo o exibido ao lado esquerdo o carro com a tubulação modificada e à direita um veículo original de fábrica. O primeiro ponto circulado em amarelo na foto à esquerda simboliza o catalisador do veículo, que apresentou uma tubulação com um diâmetro superior ao normal.

Análise feita pela polícia de SC compara carro dos jovens (à esquerda) com uma BMW original de fábrica (à direita) — Foto: Reprodução

De acordo com o perito Luís Gabriel, o catalisador foi substituído por uma tubulação downpipe, peça que leva os gases do coletor de escape até o catalisador. A solda irregular do equipamento levou a um rompimento da peça, fazendo com que o monóxido de carbono escapasse pelo ar-condicionado, causando a morte dos quatro jovens.

Já o círculo central à esquerda destaca uma alteração no escapamento, onde foi instalado um caminho alternativo para a saída de gases. Essa mudança fez com que os gases não passassem pelos abafadores, conferindo maior ruído ao veículo.

Na terceira analise, na traseira da BMW, a polícia apurou que foi retirado o silenciador do escapamento, alteração que confere maior potência ao motor e também aumenta o ruído.

Chip de potência

A quarta e última modificação divulgada pela Polícia Científica foi a instalação de um chip de potência, que modifica programações eletrônicas do veiculo, também conferindo mais potência.

Traseira da BMW teve peça retirada para conferir maior ruído ao veículo — Foto: Reprodução

Segundo análise feita pelos agentes na saída de ar, o carro ligado por 16 minutos atingiu 1000 ppm (parte por milhão) do gás monóxido de carbono, quantidade suficiente para gerar inconsciência e morte em até 2h de inalação. Um teste de ar realizado em um carro original de fábrica não apresentou emissão significativa de gás.

Morte por inalação de gás

A polícia de Santa Catarina confirmou, nesta sexta-feira (12), que a morte de Nicolas Kovaleski, de 16 anos, Karla Aparecida dos Santos, de 19, Tiago de Lima Ribeiro, de 21, e Gustavo Pereira Silveira Elias, de 24, no interior de um automóvel BMW, em Balneário Camboriú (SC), no dia 1º de janeiro, foi causada por intoxicação em decorrência da inalação de monóxido de carbono. De acordo com as investigações, havia um vazamento irregular de gás no escapamento do veículo. A peça havia sido customizada para aumentar o ronco do motor.

No dia do acidente, as vítimas deram entrada no Instituto Médico Legal (IML) por volta de 10h15. O laudo, que ainda será divulgado, apontou que vítimas apresentavam sinais de asfixia, manchas avermelhadas pelo corpo — que se inicia após a parada respiratória —, além de espuma expelida pela boca.

Os jovens apresentaram ainda saturação de monóxido de carbono acima de 50%, que é gerado pela queima de material orgânico, incluindo escapamento de carros. Em ambientes fechados, o gás atinge níveis elevados, causando a intoxicação.

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