Manaus | 25 de julho de 2026 | 10:21:01

‘Revolta’: Mulher que fez teste de glicemia com agulha usada irá pedir indenização de R$ 5 milhões ao Carrefour

Foto: Reprodução
A mulher que comprou um teste de glicemia com a agulha usada em Osasco (SP) irá processar o supermercado Carrefour após o episódio. Ela, que preferiu não se identificar, pretende ajuizar uma ação contra a rede pedindo cerca de R$ 5 milhões em indenização.
A agulha usada chegou a entrar em contato com o sangue da mulher.
O caso foi denunciado à polícia, e a funcionária que vendeu o aparelho violado foi desligada da rede. Ao GLOBO, a mulher contou que é diabética e sofre de Doença de Chron. Desde o acontecimento, afirma ainda que não consegue dormir e tem passado por acompanhamento psicológico.

— Meu sentimento é de revolta por tudo que eu passei. O que fizeram é desumano, e estou completamente desamparada. Até hoje, não me deram nenhuma explicação sobre o que aconteceu. Eu tinha esperança de saber de quem era agulha e se a pessoa tinha alguma doença, mas agora vivo com essa incerteza. O Carrefour me virou às costas.

O advogado da vítima, Marlon Reis, descreveu o ocorrido como “de uma gravidade inimaginável”.

— Ela estava fazendo tratamento para engravidar e terá que interromper por seis meses em virtude do ocorrido. Ela já vinha sendo submetida a tratamento há um ano e terá que reiniciar tudo daqui a seis meses.

O advogado ainda destacou o risco de contrair e transmitir doença, e os prejuízos materiais com despesas médicas, farmacêuticas, exames. O fato ocorreu no primeiro dia de trabalho da mulher em um novo emprego. Ela terá que verificar possíveis contaminações pelos próximos seis meses e tomar remédios de prevenção ao HIV e Hepatite B.

Por conta do coquetel para HIV, usado como prevenção, ela conta que sofre consequências como mal-estar físico, vômitos e diarreia.

— Meu tratamento foi perdido e meu sonho de ter um filho também — disse ela.

“Informamos que seguimos em contato com a cliente e seu marido, nos colocando à disposição para prestar o suporte que for necessário para seus cuidados”, disse o Carrefour por meio de nota, nesta quinta-feira.

Entenda o caso

O site “Metrópoles” teve acesso a um vídeo no qual o gerente da farmácia da rede Carrefour assume a venda do medidor já usado. Ele loja diz à mulher: “Eu vou te explicar, eu sou um cara muito honesto e muito transparente, fazem 25 anos que trabalho no varejo farmacêutico. A Drogaria Carrefour não faz testes. Acabei de ligar para ela (farmacêutica que vendeu o teste) para entender o que aconteceu. Este aparelho, ela usou porque o cliente ia adquirir o aparelho, estou sendo bem honesto e transparente com vocês. Ele ia adquirir o aparelho e não sabia usar. Ela fez um teste de demonstração para ele, ele achou muito complicado e não quis levar o teste. O que tinha que ter sido feito: esse aparelho tem que ir para descarte”.

A rede Carrefour informou que já desligou a farmacêutica envolvida no caso e que ofereceu apoio médico e psicológico à cliente “para o enfrentamento de qualquer risco de contaminação”.

O aparelho teria sido mostrado à mulher na primeira segunda-feira de dezembro já com a agulha no medidor — o que a farmacêutica disse ser padrão da marca “Accu-Chek”. No entanto, ao chegar em casa, a enfermeira notou um teste já realizado na aba “memória”. De acordo com o manual, as agulhas deveriam estar dentro de um saco lacrado com dez unidades.

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