Manaus | 8 de agosto de 2026 | 05:51:29

Bolsonaristas vão às ruas para protestar contra indicação de Dino ao STF

Em São Paulo, 5,6 mil pessoas compareceram ao ato, segundo levantamento da USP com auxílio de software; Brasília teve ato esvaziado.

Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro foram às ruas neste domingo para protestar contra a indicação do ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino (PSB), a uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), vaga após a saída da ministra Rosa Weber.

No fim de novembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu a indicação de Dino com apoio de ministros da Corte, como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. A vaga no STF estava aberta desde o dia 29 de setembro, e só deve ser ocupada após a aprovação do ministro na sabatina da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) marcada para 13 de dezembro.

Em São Paulo, na Avenida Paulista, a manifestação ocupou duas vias em torno do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e teve a presença de parlamentares e lideranças de direita. Os discursos tiveram ataques à esquerda, críticas ao que chamaram de abuso de autoridade do Poder Judiciário e pressão para que os senadores, que vão sabatinar Dino nesta semana, votem contrariamente à indicação.

“Senador que vota em comunista vota contra o Brasil e contra a liberdade”, dizia uma das faixas penduradas em um carro de som. Bolsonaristas apelaram para o medo ao atacar a indicação, afirmando nos discursos que Dino no Supremo significaria “a legalização do aborto, a censura e a perseguição aos patriotas conservadores”, por exemplo.

O ato sofreu desfalque de alguns nomes da direita paulista que foram a Buenos Aires com Bolsonaro acompanhar a posse do presidente argentino Javier Milei. Cerca de 5,6 mil pessoas marcavam presença no ato às 15h45, de acordo com levantamento do Monitor do Debate Político no Meio Digital, grupo de pesquisa da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP coordenado por Pablo Ortellado.

Foram tiradas 10 fotos entre as 15h20 e as 16h, de acordo com a metodologia divulgada pelos pesquisadores. “Quatro fotos foram selecionadas de forma a cobrir a extensão da manifestação na avenida Paulista, sem sobreposição. Cada uma das fotos foi repartida em 8 pedaços. Em cada parte, foi aplicada uma implementação do método Point to Point Network (P2PNet)1 que identifica cabeças e estima a quantidade de pessoas em uma imagem. As imagens, reconstituídas, são apresentadas abaixo. O método tem precisão de 72,9% e acurácia de 69,5% na identificação de cada indivíduo. Na contagem de público, o erro percentual absoluto médio é de 12% para mais ou para menos para imagens aéreas com mais de 500 pessoas”, diz o relatório.

Ato na capital federal

Em Brasília, o ato na Esplanada dos Ministérios ocorreu pela manhã, sob um sol forte e temperatura ao redor de 30 graus. A quantidade de manifestantes foi visivelmente menor que em convocações do ano passado. Procurada, a Polícia Militar do Distrito Federal afirmou que não divulga estimativa de público.

Diferentes parlamentares discursaram contra Dino, Lula e a primeira-dama, Janja. Os senadores Jorge Seif (PL-SC), Magno Malta (PL-ES), Izalci Lucas (PSDB-DF) e Márcio Bittar (União-AC) e os deputados Gustavo Gayer (PL-GO), Delegado Caveira (PL-PA) e Nikolas Ferreira (PL-MG) discursaram num carro de som.

De acordo com PM, ao menos 50 policiais trabalharam na manifestação, formando um cordão para impedir acesso ao Congresso Nacional.

À frente do Ministério da Justiça, Dino lidou logo nos primeiros dias com os atos de 8 de janeiro. Ele determinou a atuação da Força Nacional e foi essencial na articulação que levou o secretário-executivo da pasta, Ricardo Cappelli, a exercer o cargo de interventor na segurança. A atuação também acirrou ânimos e fez com que ele fosse convocado diversas vezes a prestar esclarecimentos na Câmara.

Nessas sessões, Dino protagonizou embates firmes e viralizáveis com os bolsonaristas, momentos que o promoveram a ministro mais odiado da oposição. Seu passado no PCdoB, o Partido Comunista do Brasil, tornou-se prato cheio para engrossar a desavença com a ultradireita, que tem pelo comunismo uma aversão completa.

A oposição planeja transformar a sabatina de Dino no Senado em uma extensão da CPI do 8 de Janeiro. O objetivo é desgastá-lo com assuntos ligados à pasta, como a ausência de imagens do circuito interno no dia dos atos, o recebimento de alertas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e a atuação da Força Nacional. Ele também terá de responder sobre outros temas caros à direita, como itens da pauta de costumes.

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