Um dos opositores mais ferrenhos à indicação de Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal (STF), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse à equipe da coluna que não acredita que o ministro da Justiça vá se declarar impedido de julgar processos de Bolsonaro, caso seja confirmado pelo Senado.
“Deveria, mas não espero dele nenhuma lógica nesse sentido”, disse Flávio. “Duvido muito que ele vá se declarar suspeito porque ele está indo para o Supremo com essa missão de perseguir políticos, e principalmente o Bolsonaro.”
“Se você está botando um político lá (no STF) para cumprir missão, ele não vai reconhecer a suspeição dele pra julgar os casos do Bolsonaro.”
O Código de Processo Civil prevê que há suspeição do juiz quando ele for “amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus advogados” ou “interessado no julgamento do processo em favor de qualquer das partes”.
Para Flávio, caberá à defesa do pai acionar a Justiça para pedir a suspeição de Dino no julgamento de processos relacionados a Jair Bolsonaro.
Em 2021, durante entrevista ao programa Bom para Todos, da TVT, o então governador do Maranhão Flávio Dino chamou Jair Bolsonaro de “serial killer” ao atacar as políticas públicas do então chefe do Executivo para enfrentar a pandemia.
— O conjunto da obra do Bolsonaro enseja múltiplos crimes de responsabilidade. Desde o ponto de vista fiscal, essa tentativa de golpe. Coação no Judiciário, no Legislativo. Ameaças aos governadores com violação do princípio federativo. É um serial killer. Ele pega os tipos penais da Lei 1.079 e percorre com maestria. Um dos pontos altos, o que ele faz melhor na vida, é cometer crime de responsabilidade — disse o então governador.
Em abril do ano passado, já no período de pré-campanha eleitoral, Dino chamou Bolsonaro de “o próprio demônio”, em entrevista ao canal UOL News.
– Eu sempre me coloquei como quadro da esquerda brasileira na condição de torcedor da terceira via. Acho que é importante para o Brasil, porque se não esses eleitores centristas podem ser tentados a aderirem ao Bolsonaro, que não é apenas um seguidor do demônio, para mim ele é o próprio demônio – afirmou.
Antes mesmo de Lula oficializar a indicação de Dino para a vaga aberta com a aposentadoria de Rosa Weber no STF, Flávio Bolsonaro já havia garantido que trabalharia pela rejeição do ministro da Justiça.
Flávio e outros aliados de Bolsonaro atribuem ao ministro da Justiça o avanço de investigações da Polícia Federal no caso das joias sauditas, a falsificação na carteira de vacinação e a confecção de uma minuta golpista que previa impedir a posse de Lula.
Todos esses casos estão no STF sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, um dos padrinhos da candidatura de Dino – o alinhamento dos dois é outro foco de preocupação dos bolsonaristas.
Agora, os aliados de Jair Bolsonaro se preparam para um cabo de guerra com o governo Lula e traçam uma estratégia para a sabatina, marcada para o dia 13 de dezembro, com o objetivo é explorar o temperamento mais belicoso de Dino e tirá-lo do sério, provocando respostas que possam prejudicá-lo na votação em plenário.
Na ocasião, Dino foi acusado de omissão no enfrentamento dos atos golpistas de 8 de janeiro. Marcos do Val é fundador de uma empresa que presta serviço de treinamento para profissionais de segurança e afirma que atuou como instrutor de táticas para unidades da SWAT.
Nas contas de parlamentares da oposição ouvidos reservadamente pela equipe da coluna, Dino já começa a disputa com pelo menos 32 votos contrários — os opositores do ministro consideram no cálculo a votação de Rogério Marinho na disputa pela presidência do Senado contra Pacheco (32 votos).







