Manaus | 4 de junho de 2026 | 13:11:58

HPV: entenda o vírus, seus sintomas e os riscos de não tratá-lo

Mais de 50 variantes do HPV circulam, e algumas delas estão ligadas ao câncer; conheça os sintomas e a importância da prevenção.

O Papilomavírus Humano (HPV) é uma infecção viral amplamente disseminada em todo o mundo. De acordo com uma pesquisa conduzida por cientistas do Instituto Catalão de Oncologia, na Espanha, e publicada na edição de setembro da revista científica The Lancet, o HPV afeta pelo menos um em cada três homens.

Apesar de sua alta prevalência, o HPV também é reconhecido por ser um dos vírus com maior potencial para causar câncer. Aproximadamente 80% dos casos de câncer de colo de útero estão relacionados à infecção por HPV, e o vírus também é associado a cânceres de vagina, pênis, ânus e orofaringe.

A transmissão do HPV ocorre por meio do contato direto com a pele ou mucosa infectada, sendo a via sexual a principal forma de contágio. No entanto, o HPV possui mais de 50 variantes, e nem todas apresentam risco de desenvolver câncer.

O infectologista Alberto Chebabo, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica que os HPVs dos tipos 6 e 11 são responsáveis por 90% dos casos de verrugas genitais, mas têm baixo risco de evoluir para câncer. Por outro lado, os tipos de alto risco, como 16, 18, 31, 33 e 35, estão presentes em cerca de 70% dos casos de câncer associados ao HPV.

Nos homens infectados, os sintomas mais comuns incluem verrugas genitais, podendo surgir nódulos e feridas no pênis, escroto, ânus, boca ou garganta, que devem ser investigados.

Nas mulheres, o HPV pode causar verrugas na vulva, vagina, colo do útero e ânus, além de provocar coceira, manchas nos genitais, ardência e verrugas na língua, garganta, céu da boca e lábios.

É importante destacar que nem todos os casos de infecção por HPV são sintomáticos, muitas vezes sendo assintomáticos. Portanto, realizar check-ups periódicos é crucial para o diagnóstico e tratamento precoces da infecção.

Uma vez identificado, o HPV pode ser tratado com medicamentos antivirais que reduzem a inflamação e diminuem o risco de desenvolver câncer.

Prevenção do HPV

A melhor forma de prevenir o HPV é por meio da vacinação antes do início da atividade sexual. Existem vacinas que protegem contra quatro ou nove tipos mais perigosos do vírus, dependendo da fórmula.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, se 90% das meninas com até 15 anos no mundo fossem vacinadas, seriam evitados 70 milhões de casos de câncer nas próximas décadas.

No Brasil, a vacina quadrivalente está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e é indicada para:

– Pessoas de 9 a 14 anos de idade, tanto meninos quanto meninas, com duas doses e intervalo de seis meses entre elas;
– Pessoas de 15 a 45 anos de idade, homens e mulheres, vítimas de violência sexual, com um esquema de três doses;
– Pessoas de 9 a 45 anos de idade, homens e mulheres imunossuprimidos (como portadores do HIV, transplantados e pacientes oncológicos), também com um esquema de três doses.

A versão nonavalente da vacina contra o HPV está disponível em clínicas privadas. A prevenção é essencial para reduzir a incidência de cânceres relacionados ao HPV e proteger a saúde pública.

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