Às margens do rio Croa, situado a 635 km de Rio Branco, a capital do Acre, uma mulher de estatura baixa e cabelos negros, vestida em uma túnica marrom, acolhe calorosamente um grupo de cem indivíduos que acabou de desembarcar dos barcos. “Sejam bem-vindos. Sou Cíntia Flores”, ela cumprimenta, oferecendo um abraço a cada um ao chegar em terra firme.
Para alcançar esse refúgio, é necessário um percurso de barco, após 22 quilômetros de deslocamento terrestre pela BR-364, partindo do centro de Cruzeiro do Sul. O crescimento do turismo na região, que se tornou a principal fonte de renda para cerca de 80 famílias que habitam a comunidade ribeirinha, despertou o interesse do estado, levando a investimentos em infraestrutura.
Como resultado desses investimentos, o caminho que leva ao Croa agora está asfaltado, e desde o final do ano passado, a região dispõe de acesso Wi-Fi, embora a conexão seja intermitente devido às frequentes quedas de sinal no município.
Ao chegar à margem do rio, os visitantes têm a opção de pagar pelo transporte aquático ou desfrutar de um passeio de barco ao longo do rio. Em média, cada visitante paga R$ 15 pelo trajeto nas embarcações, que são conduzidas pelos moradores da comunidade ribeirinha. Além disso, as pousadas oferecem pacotes que incluem esse serviço.
Além das águas do manancial, adornadas com pequenas flores e vitórias-régias em algumas estações do ano, a região abriga árvores centenárias, com destaque para a majestosa samaúma, também conhecida como sumaúma. Essas árvores impressionantes possuem raízes monumentais e uma copa que pode atingir até 70 metros de altura. Elas desempenham um papel crucial ao absorver água das profundezas do solo amazônico e hidratar as plantas ao seu redor. Em determinadas épocas, liberam umidade no ar, contribuindo para a irrigação da atmosfera.
Essa generosidade da samaúma faz parte do sagrado, conforme Cíntia explica. É sob a sombra dessas árvores que ela compartilha seus segredos e consagra a medicina que utiliza em seus rituais espirituais.










