Empresário Francisley Valdevino da Silva, suspeito de liderar esquema de fraudes bilionárias envolvendo criptomoedas, descumpriu medidas cautelares, segundo a PF.
O empresário Francisley Valdevino da Silva, conhecido como “Sheik dos Bitcoins”, suspeito de comandar fraudes bilionárias envolvendo criptomoedas, foi preso em Curitiba, nesta quinta-feira (3), em uma operação da Polícia Federal (PF).
Conforme a polícia, ele teve prisão preventiva decretada após descumprir medidas cautelares. Nesta manhã, os policiais cumpriram o mandado de prisão contra ele, além de dois mandados de busca e apreensão.
Anteriormente, o empresário respondia em liberdade sob restrições, como a determinação de que ele não poderia continuar a administrar as empresas ou fazer gestão envolvendo interesses do grupo econômico dele.
Uma outra fase da mesma operação, deflagrada pela Polícia Federal no início de outubro, cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao suspeito, onde foram apreendidos barras de ouro, dinheiro em espécie, joias, carros, relógios de luxo e outros itens.
A polícia informou que, na ação desta quinta-feira, foram novamente diversos itens de vestuário de luxo, calçados, computadores e dispositivos eletrônicos, em cumprimento dos mandados de busca e apreensão.
Descumprimento das medidas
A PF informou que, dias depois da deflagração da operação, Francisley passou a realizar encontros frequentes na casa dele, em Curitiba, com funcionários das empresas investigadas.
Entre esses funcionários estavam a gerente financeira do grupo e o responsável pelo design gráfico das plataformas virtuais criadas pelo investigado para prática das fraudes.
Ainda conforme a polícia, a realização dos encontros frequentes com este último funcionário “demonstrou que a organização criminosa continuava ativa e promovendo atos criminosos”.
Anteriormente, a Polícia Federal havia pedido, por duas vezes, a prisão preventiva de Francisley. Os dois pedidos foram negados pela Justiça Federal.
Na primeira vez, o juiz substituto Paulo Sergio Ribeiro explicou que Francisley não representava “risco à vida e integridade física de testemunhas” e que não ficou demonstrado pela polícia que “as atividades de captação de recursos de investidores ainda estavam ocorrendo”.
Na segunda decisão, o mesmo juiz afirmou que não havia “fatos novos e contemporâneos” que justificassem a prisão preventiva do investigado.
Operação Poyais
Aos clientes, as empresas de Francisley diziam ter vasta experiência no mercado de tecnologia e criptoativos e possuir uma grande equipe que faria operações de investimento com as criptomoedas para gerar lucros, de acordo com a investigação.
A chamada Operação Poyais mostrou, entretanto, que o dinheiro arrecadado era gasto por Francisley.
Entre as possíveis vítimas do esquema está Sasha Meneghel, que, segundo a PF, teve um prejuízo de cerca de R$ 1,2 milhão. A polícia destacou que na lista de vítimas também estão jogadores de futebol, que não tiveram os nomes revelados.
O cantor Wesley Safadão disputa na Justiça contra as vítimas do ‘Sheik dos Bitcoins’ a posse de uma aeronave de R$ 37 milhões. O artista alega ser vítima do golpista e ter recebido a aeronave como garantia de pagamento pelo investimento na empresa de Francisley.
Segundo advogado do cantor, o jato foi uma ‘forma de solução de desfazimento da operação’ de moedas digitais. A aeronave é alvo de um processo de arresto feito por vítimas do ‘Sheik’.
Sobre este caso, a defesa de Francisley afirmou anteriormente que a aeronave não tinha restrições judiciais no momento da venda a Wesley.
Quem é o Sheik
Segundo a polícia, Francisley se apresentava como Francis Silva e é natural de São Paulo, mas se estabeleceu em Curitiba. Na capital paranaense, ele desenvolveu uma empresa do ramo da tecnologia.
De acordo com a PF, o suspeito possui mais de cem empresas abertas no Brasil vinculadas a ele. A investigação indica que ele usava o dinheiro arrecadado nas fraudes para a compra de imóveis de alto valor, carros de luxo, embarcações, roupas de grife, joias, viagens, aviões e para fazer doações a igrejas.
O esquema começou a ruir no fim de 2021, quando Francisley não conseguiu mais pagar o que devia aos clientes, conforme a PF.
A investigação contra o suspeito começou em março deste ano, depois de um pedido de cooperação policial internacional feito pela Interpol. O pedido informava sobre uma organização criminosa, liderada por Francisley.
Alguns membros da família de Francisley também se envolveram nas fraudes, segundo a polícia. Os familiares eram funcionários das empresas, e se apropriavam dos valores investidos pelas vítimas.
No final de outubro, a Justiça decretou falência de uma das empresas do investigado, a Rental Coin. A decisão ainda cabia recurso.
No documento, a juíza Luciane Pereira Ramos, da 2ª Vara de Falências e de Recuperação Judicial de Curitiba, citou que a medida “tinha efeito saneador ao retirar do mercado empresa através da qual teriam sido cometidas irregularidades que lesionaram número expressivo de credores”.
A magistrada, na ação, nomeou um administrador judicial, indicado como responsável por buscar os bens que conseguir identificar e elaborar uma lista de credores.
Na sequência, os bens devem ser vendidos, e o resultado partilhado entre os credores da empresa.
Fonte: G1





