Manaus | 4 de junho de 2026 | 17:41:16

Internauta divulga gastos milionários de verba pública na campanha de Lula com marketeiro acusado de corrupção

Sidônio Palmeira, contratado pelo ex presidente, é acusado pelo MP por improbidade administrativa após suspeitas de fraudes em contratos e enriquecimento ilícito; Raul Guedes ganhou os noticiários esse ano após uma licitação aberta de R$ 42 milhões no RJ; Francisco Mascarenhas tem envolvimento no escândalo do Mensalão e Lava Jato.

Uma jovem internauta do Mato Grosso do Sul, chamada Bruna Agostini,  ganhou uma notoriedade impactante após divulgar um vídeo onde mostra que o candidato Lula, do PT, recebeu um fundo eleitoral em torno de R$ 90 milhões de reais. Ao explicar que o fundão eleitoral é uma verba pública, Bruna aponta nas imagens que já foram gastos quase todo o valor, ou seja, o equivalente a 99,6% do total, e enfatiza: “do seu dinheiro”, referindo-se aos cidadãos brasileiros.

Durante a filmagem, a jovem que refere-se ao Lula como “ladrão”, mostra também para onde foi direcionada a maior quantia desta verba e, conforme se vê no vídeo, quase R$ 26 milhões de reais foram pagos para a empresa M4 Comunicação e Propaganda  LTDA (onde os sócios estão envolvidos em vários escândalos de corrupção). Indo mais adiante,  a internauta pesquisa o CNPJ e constata que a empresa responsável por essa despesa milionária foi aberta apenas há 4 meses e 4 dias e entre um dos sócios administradores está Sidônio Cardoso Palmeira.

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A empresa só tem quatro meses de funcionamento 

Ela joga o nome do empresário do Google e exibe que o publicitário Sidônio Cardoso Palmeira é acusado pelo Ministério Público da Bahia de participar de um esquema de corrupção que desviou R$ 7,5 milhões dos cofres públicos.

Vale ressaltar, que publicitário também é sócio da Leiaute Propaganda, empresa que em 2006 venceu uma licitação para prestar serviços de propaganda à Câmara dos Vereadores de Salvador. A contratação foi objeto de uma auditoria do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia, que identificou uma série de fraudes.

Entre as irregularidades está a falta de prestação de contas da empresa pelo dinheiro recebido. O publicitário foi denunciado por enriquecimento ilícito e é investigado no mesmo inquérito que apura denúncias contra o presidente da Câmara à época.

Outros sócios

O que Bruna não mostrou é que entre os sócios está Raul Guedes Rabelo – que também é sócio junto com Sidônio na Leiaute Propaganda – ganhou as páginas dos jornais em junho deste ano ao aparecer entre os ganhadores de uma licitação aberta pela prefeitura do Rio Janeiro. Cada contrato foi estimado em R$ 42 milhões. 

Acontece que Raul Guedes Rabelo foi o marqueteiro da campanha de 2020 do prefeito do Rio de Janeiro e aliado de Lula, Eduardo Paes (PSD). A empresa representada pelo publicitário na licitação foi a Leiaute Propaganda

Outro sócio da M4 Comunicação e Propaganda é Francisco Mascarenhas Kertész, filho do radialista e ex-prefeito de Salvador, Mário Kertész; e irmão de Marcelo Mascarenhas Kertész, genro do ex-marqueteiro do PT, Duda Mendonça, que foi acusado de envolvimento no escândalo do mensalão, em 2005, e foi alvo da Lava Jato, em 2016.

Em 2017, Francisco foi acusado de articular um esquema de caixa 2 para a campanha do pai, Mário Kertész, que concorria à prefeitura de Salvador. O esquema foi denunciado em delação premiada pelo ex-executivo da campanha, André Vital.

Ao todo, a campanha do pai de Francisco teria recebido cerca de R$ 1,75 milhão via caixa 2.

Já o irmão de Francisco e genro de Duda Mendonça, Marcelo Mascarenhas Kertész, é acusado de ter cedido a conta bancária para que o ex-marqueteiro do PT transferisse R$ 500 mil na época em que foi convocado para depor na CPI que apurava o escândalo do mensalão.

Com medo de ter os bens bloqueados, Duda transferiu cerca de R$ 4 milhões para contas de terceirosantes de depor na CPI, em 2006.

Em 2016, Marcelo Mascarenhas Kertész voltou aos holofotes ao ser apontado como responsável pela exclusão de uma conta no serviço de armazenamento de dados em nuvem, Dropbox, atribuída ao ex-marqueteiro do PT, João Santana, alvo de investigação na extinta Operação Lava Jato.

Carlos Eduardo Gumes Andrade é o outro sócio da M4 Comunicação e Propaganda, que também é sócio na Leiaute Propaganda. Na apuração feita pelo BSM, o nome dele não apareceu pessoalmente envolvido em nenhum caso suspeito.

A empresa

Na inscrição do CNPJ, a M4 Comunicação e Propaganda está sediada em São Paulo, no bairro Pinheiros, mas apresenta um telefone com DDD da Bahia. A Leiaute Propaganda é sediada na capital baiana, Salvador.

Além disso, ao verificar imagens do endereço informado pela M4 Comunicação no Google Street View, aparece apenas uma propriedade com placas de “aluga-se”.

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Imagem da suposta empresa de marketing

Uma das empresas que anunciam no local é a Esquema Imóveis, conhecida pelo alto padrão e alto preço dos imóveis comercializados. As imagens disponibilizadas pelo Google são de março de 2022, cerca de dois meses antes da abertura da agência.

A internauta

O que Bruna Agostini trouxe não é nenhuma novidade, dois  sites de notícias já haviam divulgado a informação, embora seja um número inexpressivo  diante da grande variedade de portais de notícias pelo Brasil, o que acabou sendo “abafado”. Entretanto, o vídeo direto e curto publicado pela sul-mato-grossense mostra cada vez mais o poder da imagem e o impacto dos vídeos nas redes sociais. O heels já ultrapassou mais de 13 milhões de visualizações em 24 horas e Bruna, que até então era anônima, já ganhou até o fechamento desta matéria, 10.500 seguidores no seu do Instagram.

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