Deputado estadual Douglas Garcia agrediu verbalmente a jornalista. “Não há justificativa”, disse o filho do presidente.
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou, nesta quarta-feira (14/9), ser “lamentável” o ataque do deputado estadual Douglas Garcia (Republicanos) à jornalista Vera Magalhães, após debate organizado por Folha, UOL e TV Cultura.
O filho do presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), disse que “não há justificativa para provocar uma jornalista e tentar constrangê-la gratuitamente no seu local de trabalho”.
“Diante disso, reitero que lamento o ocorrido ontem e que considero esse tipo de constrangimento gratuito injustificável. Também peço a todos que observem quem sabe trabalhar em equipe, se dedicar a um projeto maior do que si próprio e buscar resultados sem fazer muito barulho”, escreveu Eduardo, em uma rede social.
Confira:
Ninguém constrói nada sozinho na política e essas atitudes inconsequentes visando os holofotes e a auto-promoção, além de erradas em si mesmas, podem pôr a perder um trabalho de meses, reforçar estereótipos e trazer prejuízos para todo um grupo político. Neste caso, a direita.
Diante disso, reitero que lamento o ocorrido ontem e que considero esse tipo de constrangimento gratuito injustificável. Também peço a todos que observem quem sabe trabalhar em equipe, se dedicar a um projeto maior do que si próprio e buscar resultados sem fazer muito barulho.
Os ataques à jornalista Vera Magalhães se intensificaram, no entanto, após o pai de Eduardo Bolsonaro hostilizá-la em um debate na Band TV, em 28 de agosto passado. “Você é uma vergonha para o jornalismo brasileiro”, disse o presidente da República.
A mesma frase foi usada repetidas vezes por Douglas Garcia no ataque de ontem.
Apesar de estarem em um mesmo espectro ideológico, Garcia e Eduardo Bolsonaro romperam publicamente, em junho do ano passado. O deputado estadual acusou o filho do presidente de ser acorvardar após o envio de um dossiê antifacista à embaixada dos Estados Unidos e às polícias Civil e Federal.
Entenda
Um debate para o governo de São Paulo, realizado na noite de terça-feira (13/9), acabou marcado por mais um ataque à jornalista Vera Magalhães.
Na imagem, é possível ver e ouvir que Magalhães e Garcia gravam as cenas com celulares e discutem. O deputado a acusa falsamente de receber R$ 500 mil anuais de salário da TV Cultura, quando, na verdade, a própria emissora divulgou o valor de R$ 22 mil mensais.
Garcia repete diversas vezes uma frase dita pelo presidente Jair Bolsonaro em um debate para a Presidência da República: “A senhora é uma vergonha para o jornalismo brasileiro”. Magalhães, que teve de sair escoltada por seguranças do local, repete que já publicou o contracheque, mas o parlamentar nega. Em alguns momentos, o deputado diz que está sendo agredido pela jornalista.
Na madrugada desta quarta-feira (14/9), Vera Magalhães publicou vídeo em que diz ter sido “agredida” por Garcia.
“Eu estava sentada na primeira fileira do debate, local destinado aos jornalistas que iriam fazer perguntas aos candidatos, quando esse senhor se ajoelhou na minha frente, começou a me filmar sem que eu percebesse, me xingar de ‘vergonha do jornalismo’, reproduzindo a fala do presidente Jair Bolsonaro no outro debate, dizendo que eu ganho R$ 500 mil por ano, quando isso não é verdade”, disse.
A profissional repete que o salário é de R$ 22 mil, que o contrato é público e o deputado tem acesso.
“Ele veio mentir novamente, me acossar, me intimidar, achar que com isso vai me calar, vai me deixar ter medo. Isso não é aceitável. O Brasil é uma democracia. Uma democracia pressupõe imprensa livre”, afirmou Magalhães.
A jornalista também lembrou da pergunta feita ao candidato Ciro Gomes no outro debate, em que o presidente teria aproveitado para, segundo ela, a agredir: “Desde então, eu estou sofrendo ataques violentos e virulentos de uma base do bolsonarista autorizada pelo presidente da República. Porque ele me atacou, e essa base se sente autorizada a repetir os ataques”.
Fonte: Metrópoles









