Manaus | 4 de junho de 2026 | 11:53:22

Bolsonaro precisará resolver impasses estaduais nas candidaturas ao Senado; saiba quais

Ex-ministros, deputados federais e antigos apoiadores buscam a ‘benção’ do chefe do Executivo para se cacifar e ganhar eleitores de direita nas eleições legislativas.

Nos últimos meses, o presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, em mais de uma ocasião, que gostaria de eleger o maior número possíveis de deputados e senadores para ter uma maioria confortável no Congresso Nacional. Com a escalada da crise entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Palácio do Planalto, a eleição para o Senado se tornou a menina dos olhos dos bolsonaristas. E há uma razão para isso: de acordo com o artigo 52 da Constituição Federal, compete privativamente aos senadores o julgamento de ministros do STF, de membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, do procurador-geral da República e do advogado-geral da União. Para ter sucesso na missão de eleger aliados para a Casa Alta, porém, o mandatário do país terá de resolver uma série de impasses que estão colocados a menos de cinco meses do pleito geral. Segundo levantamentoo, Bolsonaro tem nós a desatar em pelo menos cinco unidades da Federação – dois deles ocorrem nos maiores colégios eleitorais do país.

Em São Paulo, no principal Estado do país, a disputa envolve cinco nomes: a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), a deputada estadual Janaina Paschoal (PRTB-SP), o apresentador José Luiz Datena (PSC), a médica oncologista Nise Yamaguchi (PROS) e o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) Paulo Skaf (MDB). Todos buscam, a princípio, ser o nome bolsonarista que irá disputar a única vaga paulista no Senado. Como a Jovem Pan mostrou, Zambelli passou a se movimentar para ocupar o lugar de Datena em caso de mais uma desistência em cima da hora – o jornalista da TV Bandeirantes é o nome oficial da chapa do ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), pré-candidato ao governo de São Paulo. Procurada, a deputada federal afirmou que planeja disputar a reeleição à Câmara dos Deputados, mas ressaltou que aceitaria outros desafios caso fosse provocada a fazê-lo. “Faço parte de uma geração que deseja transformar o Brasil num país próspero, justo e livre de corrupção. Bolsonaro é o líder desse grupo e pretendo contar com seu apoio para qualquer que seja a missão”, disse à reportagem. À Jovem Pan, Datena afirmou que respeita todas as possíveis candidaturas, pontuando que o presidente Jair Bolsonaro “já falou umas 40 vezes que sou seu candidato”. “Acho a Janaina [Paschoal] ótima, a Carla [Zambelli] é ótima, mas quem decide é o presidente”, resumiu. Nise Yamaguchi foi procurada para comentar a disputa eleitoral, mas não se manifestou até a publicação desta matéria.

No Rio de Janeiro, dois candidatos buscam a bênção de Bolsonaro: o já senador Romário (PL), que busca a reeleição, e o deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) – condenado a 8 anos e 9 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por ataques aos ministros da Corte e às instituições e agraciado pelo perdão presidencial. Em entrevista, Silveira reafirmou a sua postulação e disse que a candidatura do ex-jogador de futebol se sustenta em um acordo que teria sido firmado entre o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, preso e condenado no escândalo do Mensalão, e o chefe do Executivo federal. “Ele [Romário] não é e nunca foi bolsonarista. Pelo contrário, votava contra e nunca mencionou o presidente. Agora quer dizer que é bolsonarista, apoiador fiel. Não é, isso é uma inverdade”, criticou Silveira. O senador do PL não respondeu aos questionamentos da reportagem.

No Espírito Santo, pelo menos um dos nomes aventados para a disputa afirma que não há nenhum impasse. Evair de Melo (PP), vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, cotado para brigar pela cadeira capixaba no Senado, disse à Jovem Pan que não tem essa pretensão e que focará em ser eleito para o seu terceiro mandato como deputado federal. Por outro lado, interlocutores de Magno Malta (PL), que no passado havia sido cotado para ocupar o cargo de vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro, afirmam que o ex-senador terá, de fato, o apoio de Bolsonaro em sua tentativa de voltar ao Parlamento.

A principal discórdia ocorre no Distrito Federal, em uma guerra fria que envolve as ex-ministras da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos Damares Alves (Republicanos) e da Secretaria de Governo Flávia Arruda (PL), que concorre na chapa do governador Ibaneis Rocha (MDB), que busca a reeleição. Nos bastidores, aliados de Arruda dizem que a cúpula do Republicanos utiliza a postulação de Damares como forma de forçar o Partido Liberal a incluir um quadro da sigla comandada pelo deputado federal Marcos Pereira na primeira suplência da esposa do ex-governador José Roberto Arruda. Em caso de reeleição de Bolsonaro, o retorno de Flávia à Esplanada dos Ministérios é tido como certo, o que abriria caminho para que o primeiro suplente chegasse ao Senado.

Por fim, na Paraíba, pelo menos três pré-candidatos buscam atrair parte do eleitorado bolsonarista: o advogado Bruno Roberto (PL), o vereador de João Pessoa, Carlão Pelo Bem (Patriota), e o procurador da Fazenda Nacional, Sergio Queiroz (PRTB). À Jovem Pan, Queiroz disse que apoia Bolsonaro, mas entende que o mandatário “já fez as suas escolhas”, em alusão a declarações do presidente em favor da candidatura de Roberto, seu correligionário. Mesmo assim, Carlão Pelo Bem corre por fora e ostenta em suas redes sociais publicações elogiosas e fotos com o chefe do Executivo nacional. Tudo isso de olho no voto do eleitor de direita.

 

Fonte: JP Notícias

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