ALMAERA, INDONÉSIA — Uma expedição clandestina ao cume de um dos vulcões mais ativos da Indonésia terminou em tragédia. Três alpinistas morreram e vários ficaram feridos após serem surpreendidos por uma explosão violenta no Monte Dukono, localizado na remota ilha de Halmahera. O grupo, motivado pelo desejo de registrar imagens e criar conteúdos para as redes sociais, ignorou completamente os alertas e as barreiras de segurança para acessar o topo da montanha.
O incidente ocorreu às 7h41 da manhã (horário local). Imagens gravadas por drones de guias locais e celulares de sobreviventes mostram o exato momento em que cerca de 14 pessoas estavam na borda da cratera Malupang Warirang quando o chão detonou. O vulcão expeliu uma nuvem piroclástica massiva e gases tóxicos, além de lançar rochas gigantescas montanha abaixo.
Desobediência e Impacto Fatal
Segundo o chefe da polícia de Halmahera do Norte, Erlichson Pasaribu, os turistas tinham total consciência de que a escalada estava terminantemente proibida desde abril, quando o nível de alerta do vulcão foi elevado devido a mais de 200 explosões consecutivas. Uma zona de exclusão de 4 quilômetros ao redor da cratera havia sido estabelecida pelas autoridades geológicas, mas foi violada pela agência que organizou a subida.
O grupo total era composto por 20 trilheiros, divididos entre indonésios e cidadãos de Singapura. Durante a explosão, a maioria conseguiu correr desesperadamente encosta abaixo para se proteger da chuva de cinzas e detritos. No entanto, três pessoas não resistiram e foram atingidas fatalmente por blocos de rocha vulcânica. As vítimas foram identificadas como dois homens de nacionalidade singapuriana e uma mulher indonésia.
Resgate Complexo e Investigação Criminal
As equipes de busca, formadas por mais de 150 profissionais e equipadas com drones térmicos, enfrentaram dificuldades extremas para resgatar os sobreviventes e recuperar os corpos, já que o Monte Dukono registrou repetidas erupções ao longo das horas seguintes. Pelo menos 15 pessoas necessitaram de atendimento médico hospitalar devido a queimaduras, ferimentos de impacto e problemas respiratórios causados pela inalação de fumaça tóxica.
A polícia local abriu um inquérito criminal por negligência contra o guia turístico responsável pela expedição, identificado como Reza Selang, que pode responder judicialmente por conduzir o grupo deliberadamente para dentro de uma área de perigo extremo e com acessos interditados pelo governo.






