RIO DE JANEIRO — A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta segunda-feira (19), a Operação Backbone, que mira a estrutura financeira e o domínio de serviços essenciais pela facção criminosa Comando Vermelho (CV). Entre os principais alvos presos preventivamente estão Márcia Gama e Lucas Santos Nepomuceno (conhecido como Lucca), respectivamente mãe e irmão do rapper Oruam, além de esposa e filho do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, que cumpre pena em presídio federal e recebeu um novo mandado de prisão.
A investigação aponta que a família gerenciava a lavagem de capitais oriundos da “internet do tráfico”, um esquema de monopólio clandestino de provedores de internet que gerava lucros milionários à cúpula da facção nos Complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. Por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Justiça determinou o bloqueio de R$ 558 milhões em bens de 40 suspeitos e 42 empresas envolvidas no esquema.
O Monopólio da Internet nas Favelas
De acordo com a Polícia Federal, o Comando Vermelho transformou o fornecimento de internet em uma de suas principais fontes de renda, superando a arrecadação com o tráfico de drogas em algumas regiões. No Complexo da Penha, por exemplo, o serviço ilegal correspondia a mais de 40% de todo o faturamento da facção em um único mês.
Para garantir o monopólio, criminosos armados realizavam o corte de cabos, a destruição de fiações e o incêndio de caixas de transmissão de operadoras regulares licenciadas pela Anatel. Moradores eram então coagidos a assinar com os provedores autorizados pela facção, que também cobrava taxas mensais de empresas parceiras para que pudessem operar no território.
Lavagem de Dinheiro e Prisões
O dinheiro arrecadado com a extorsão e exploração dos serviços era reinjetado na economia formal para ocultar a sua origem ilícita. A PF identificou que os valores eram lavados por meio de produtoras de eventos, empresas de fachada e aquisições de imóveis de alto padrão pagos integralmente em dinheiro vivo.
Ao todo, a ação cumpre 23 mandados de prisão preventiva e 38 de busca e apreensão no Rio de Janeiro, no Distrito Federal e em Mato Grosso do Sul. Além dos familiares de Marcinho VP, o vereador carioca Fábio Silva também foi alvo de prisão por suspeita de ligação com o esquema. O rapper Oruam não foi incluído como investigado ou alvo de mandados nesta fase da operação e cumpre agenda de shows fora do país.
Veja o vídeo da operação disponível no hells d’ A Repórter






