Três anos depois da mobilização que levou a capivara Filó de volta ao convívio com Agenor Tupinambá, uma nova decisão da Justiça Federal reacende a disputa sobre o destino do animal. A determinação estabelece prazo de 30 dias para que ela seja entregue ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama, em Manaus.
A sentença é atribuída à juíza federal Mara Elisa Andrade e revoga a autorização provisória que permitia a permanência de Filó com Agenor desde abril de 2023. Segundo reportagem do Portal Você Online, a magistrada julgou improcedente o pedido do influenciador e considerou que a convivência prolongada não poderia servir para consolidar uma guarda considerada irregular.
A decisão provocou reação da deputada estadual e federal eleita Joana Darc (União Brasil), que participou da mobilização em defesa de Filó em 2023. A parlamentar repudiou a determinação e voltou a questionar a necessidade de retirar a capivara do ambiente onde vive.
Segundo Joana, Filó circula livremente pela floresta, aproxima-se dos moradores quando quer e depois retorna à mata. Para a parlamentar, essa realidade precisa ser considerada antes de uma nova transferência para o centro de triagem.
Uma disputa que começou em 2023
O caso ganhou repercussão nacional quando o Ibama autuou Agenor por irregularidades envolvendo animais silvestres e determinou a entrega de Filó. A capivara foi levada ao Cetas, onde Joana Darc questionou publicamente as condições de acolhimento.
Em 30 de abril daquele ano, uma decisão judicial autorizou a devolução do animal e concedeu a guarda provisória a Agenor, com obrigações de informar suas condições de saúde e permitir a fiscalização ambiental. A autorização era temporária, e a disputa judicial continuou.
A mesma magistrada da BR-319
Mara Elisa Andrade também assinou, em julho de 2024, a decisão que suspendeu os efeitos da licença prévia para a reconstrução do trecho do meio da BR-319. Naquele processo, a magistrada apontou riscos ambientais e insuficiência de medidas de proteção na região da rodovia. São processos distintos, embora conduzidos pela mesma juíza.
O bem-estar de Filó precisa estar no centro
A nova determinação exige respostas concretas: quais seriam os benefícios da transferência para Filó? Como seriam avaliados os efeitos da mudança após três anos? Quais condições de acolhimento seriam oferecidas pelo Cetas?
A fiscalização de animais silvestres tem uma finalidade legítima. Mas a aplicação das regras precisa considerar cuidadosamente a situação atual do animal, sua adaptação e os riscos de uma nova mudança.
Se Filó vive livre na floresta, como afirma Joana Darc, retirar a capivara desse ambiente exige uma justificativa técnica clara. Proteger a fauna deve significar demonstrar o que efetivamente melhora a vida do animal.









