Manaus | 6 de agosto de 2026 | 22:55:52

Jovem com leucemia morre 59 dias após liminar que determinava fornecimento de remédio pelo SUS

Larissa Amorim, de 29 anos, morreu 59 dias após conseguir uma decisão liminar da Justiça que determinava à União o fornecimento imediato de um medicamento essencial para o tratamento da leucemia. A jovem não recebeu a medicação a tempo e faleceu em maio, antes de iniciar a imunoterapia indicada pelos médicos.

Diagnosticada com Leucemia Mieloide Crônica (LMC) aos seis anos de idade, Larissa conviveu com a doença por mais de duas décadas. No entanto, em julho de 2025, seu quadro evoluiu para uma crise blástica linfoide B, tornando necessário um transplante de medula óssea. Antes do procedimento, porém, era preciso controlar o avanço da doença com imunoterapia.

Após dois protocolos de quimioterapia sem sucesso, os médicos prescreveram os medicamentos blinatumomabe e ponatinibe. Como os remédios não estavam disponíveis na rede pública, a família recorreu à Justiça. Em 13 de março de 2026, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) determinou que a União fornecesse imediatamente o tratamento.

Enquanto aguardava o cumprimento da decisão, Larissa precisou repetir ciclos de quimioterapia. Com a imunidade comprometida, ela contraiu uma infecção grave e morreu no dia 14 de maio, sem receber o medicamento.

A história da jovem motivou a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) a protocolar uma representação junto ao Ministério Público Federal (MPF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), pedindo investigação sobre possíveis falhas estruturais que estariam impedindo pacientes com câncer de receber tratamentos já reconhecidos pelo próprio Estado.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que adotou as providências necessárias para cumprir a decisão judicial, mas alegou indisponibilidade imediata do medicamento e informou ter solicitado autorização para realizar depósito judicial, sem obter resposta. A pasta também declarou que o blinatumomabe foi incorporado ao SUS para indicações específicas relacionadas à Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), sustentando que o quadro clínico da paciente não se enquadrava nessas indicações, entendimento que diverge da decisão judicial.

Especialistas destacam que, mesmo após a incorporação de novos medicamentos ao SUS, a distribuição pode sofrer atrasos devido à necessidade de atualização dos protocolos clínicos, definição das responsabilidades de compra e organização da logística entre União, estados e municípios. Larissa deixa o marido, Murillo Barbosa, e dois filhos, Benjamim, de 8 anos, e Sophia, de 7 anos.

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