Manaus | 22 de julho de 2026 | 18:31:22

Emendas do SUS priorizam escritório em vez de equipamentos de saúde

Um levantamento divulgado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps) revelou que as emendas parlamentares destinadas à saúde financiaram, em 2025, mais itens de escritório do que equipamentos médicos considerados essenciais para a Atenção Primária à Saúde (APS).

Segundo o estudo, 65,7% dos equipamentos adquiridos com emendas individuais pertencem à categoria de infraestrutura e material de escritório, incluindo cadeiras, computadores e aparelhos de ar-condicionado. Dos mais de 95 mil itens financiados, cerca de 62 mil se enquadram nessa classificação.

O relatório aponta que, dos R$ 491 milhões destinados à atenção primária por meio de emendas individuais de investimento, R$ 113,9 milhões foram direcionados para infraestrutura e material de escritório. Já os equipamentos de saúde de baixo custo receberam R$ 58,8 milhões, o equivalente a 12% do total.

A categoria que mais recebeu recursos foi a de veículos, com R$ 263,5 milhões, representando mais da metade dos investimentos realizados. Entre os itens mais financiados estão veículos de passeio, computadores e cadeiras odontológicas.

O estudo também mostra uma mudança significativa no perfil dos gastos ao longo da última década. Em 2016, a maior parte dos recursos era destinada à construção de unidades de saúde e à compra de equipamentos médicos. Na época, 64% das verbas de investimento em saúde eram direcionadas para infraestrutura do SUS.

Já em 2024, esse percentual caiu drasticamente: apenas R$ 10 de cada R$ 100 destinados à saúde foram investidos na ampliação da infraestrutura da rede pública.

O levantamento ainda destaca que as emendas parlamentares representam uma parcela importante do orçamento da saúde em estados e municípios. Em 2024, cerca de 22% dos recursos de investimento do SUS tiveram origem nessas transferências.

Os dados também mostram desigualdade na distribuição dos recursos entre os municípios brasileiros, com algumas cidades recebendo valores muito acima da média nacional, enquanto outras receberam repasses considerados mínimos.

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