Manaus | 21 de julho de 2026 | 14:38:34

Brasil avança na produção nacional de medicamento essencial para o tratamento do HIV

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu a transferência de tecnologia do dolutegravir, um dos principais medicamentos utilizados no tratamento do HIV no Brasil. O processo foi realizado em parceria com a farmacêutica ViiV Healthcare e permitiu ao laboratório Farmanguinhos internalizar as etapas de fabricação e controle de qualidade do medicamento.

Com o avanço, o Brasil se aproxima da produção nacional do antirretroviral, reduzindo a dependência de importações. O início da fabricação em escala nacional depende agora da concessão do registro sanitário pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O dolutegravir é utilizado no tratamento de pessoas que vivem com HIV e também integra estratégias de prevenção, como a PrEP. Atualmente, o medicamento é usado por mais de 770 mil pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Os medicamentos antirretrovirais conseguem reduzir a quantidade de HIV presente no organismo. Quando a pessoa realiza o tratamento corretamente e mantém a carga viral indetectável de forma sustentada, o vírus não é transmitido por via sexual. É o princípio conhecido como “Indetectável = Intransmissível” (I=I).

Isso significa que a pessoa continua vivendo com o HIV, mas o tratamento impede que o vírus se multiplique em quantidade suficiente para ser detectado pelos exames de carga viral e, quando a indetectabilidade é mantida, impede a transmissão sexual do HIV.

É importante também diferenciar HIV de AIDS. HIV é o vírus que pode causar a infecção. Já a AIDS é uma condição que pode se desenvolver quando a infecção pelo HIV não é tratada e o sistema imunológico fica gravemente enfraquecido, favorecendo o surgimento de doenças oportunistas. Com o diagnóstico e o tratamento adequados, a pessoa que vive com HIV pode manter a saúde e não desenvolver AIDS.

A produção nacional do dolutegravir também deve contribuir para proteger o SUS contra oscilações cambiais, crises internacionais de abastecimento e custos relacionados à importação do medicamento.

O acordo prevê ainda uma próxima etapa de transferência tecnológica para a produção nacional de um único comprimido que combine dolutegravir e lamivudina.

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